quinta-feira, 31 de julho de 2008

Jogo na Loteria - Curiosidade - C/0019


Por que jogamos na loteria?
Matemáticos e economistas adoram fazer tabelas com as chances de investimentos darem certo ou errado e dizem que devemos usá-las para tomarmos decisões racionalmente. Faz sentido, é claro. Só não funciona na prática -porque o ser humano teima (felizmente!) em não se guiar apenas pela razão. Por exemplo: diz a matemática financeira que devemos sempre aceitar qualquer divisão, de prêmios ou balas, que nos for ofertada. Mesmo as injustas: afinal, qualquer coisa no bolso é melhor do que um bolso vazio. No entanto, ofertas injustas despertam protestos do córtex da ínsula, aquela parte do cérebro que sinaliza desgosto e repulsa. Se a ínsula fala alto o suficiente, seus protestos ganham das tendências racionais -e acabamos por recusar uma oferta que, racionalmente, deveríamos ter aceito. Loterias são exemplos divertidos do oposto: situações em que a razão manda não fazer investimento algum, pois a chance de retorno é ínfima. A própria Caixa deixa bem claro em seu site: a chance de um apostador da Mega-Sena jogar em seis números e acertar todos os seis em um concurso qualquer é de 1 em 50 milhões. Dito de outra forma, quem faz um jogo tem 49.999.999 chances em 50 milhões de apenas ficar R$ 1,50 mais pobre. O córtex pré-frontal toma nota e vota -racionalmente- por guardar o R$ 1,50 no bolso. Mas outra parte do cérebro pensa em outra coisa: quão bom seria ganhar o prêmio? Por mais que seja improvável, o evento de um prêmio de vários milhões de reais certamente seria razão de grande euforia e de muitas coisas desejáveis -casa própria, carro, segurança. O sistema de recompensa, que sinaliza para o restante do cérebro o que tem chances de dar bons resultados, também toma nota e dá seu voto. Quem toma a decisão, no final das contas, parece ser uma região no centro do córtex pré-frontal, que pesa os possíveis custos (quanto a ínsula se importa de perder R$ 1,50) e benefícios (quanto o sistema de recompensa gostaria do prêmio). Pelo jeito, essa parte do cérebro de cerca de 2 milhões de brasileiros entende a cada concurso que R$ 1,50 é um custo baixo para concorrer à chance, mínima, mas real, de ganhar uma bolada. Se fôssemos puramente racionais, nunca apostaríamos na Mega-Sena -e, como o prêmio vem da arrecadação com as apostas, não haveria prêmios milionários a dividir entre improváveis ganhadores. Afinal, certo mesmo é o seguinte: quem não joga na loteria tem 100% de chances de não ganhar!

Poemas e Poetas do Brasil - PPB/0031

A Meditação sobre o Rio TietêMario de Andrade

Água do meu Tietê, Onde me queres levar?
- Rio que entras pela terraE que me afastas do mar...
É noite. E tudo é noite. Debaixo do arco admirável
Da Ponte das Bandeiras o rioMurmura num banzeiro de água pesada e oliosa.
É noite e tudo é noite. Uma ronda de sombras,
Soturnas sombras, enchem de noite de tão vasta
O peito do rio, que é como si a noite fosse água,
Água noturna, noite líquida, afogando de apreensões
As altas torres do meu coração exausto.
De repente O ólio das águas recolhe em cheio luzes trêmulas,
É um susto. E num momento o rio
Esplende em luzes inumeráveis, lares, palácios e ruas,
Ruas, ruas, por onde os dinossauros caxingamAgora,
arranha-céus valentes donde saltam
Os bichos blau e os punidores gatos verdes,
Em cânticos, em prazeres, em trabalhos e fábricas,
Luzes e glória. É a cidade...
É a emaranhada formaHumana corrupta da vida que muge e se aplaude.
E se aclama e se falsifica e se esconde. E deslumbra.
Mas é um momento só. Logo o rio escurece de novo, Está negro.
As águas oliosas e pesadas se aplacamNum gemido. Flor.
Tristeza que timbra um caminho de morte.
É noite. E tudo é noite. E o meu coração devastado
É um rumor de germes insalubres pela noite insone e humana.
Meu rio, meu Tietê, onde me levas?
Sarcástico rio que contradizes o curso das águas
E te afastas do mar e te adentras na terra dos homens,
Onde me queres levar?...
Por que me proíbes assim praias e mar, por que
Me impedes a fama das tempestades do Atlântico
E os lindos versos que falam em partir e nunca mais voltar?
Rio que fazes terra, húmus da terra, bicho da terra,
Me induzindo com a tua insistência turrona paulista
Para as tempestades humanas da vida, rio, meu rio!...
Já nada me amarga mais a recusa da vitória
Do indivíduo, e de me sentir feliz em mim.
Eu mesmo desisti dessa felicidade deslumbrante,
E fui por tuas águas levado,
A me reconciliar com a dor humana pertinaz,
E a me purificar no barro dos sofrimentos dos homens.
Eu que decido. E eu mesmo me reconstituí árduo na dor
Por minhas mãos, por minhas desvividas mãos,
porEstas minhas próprias mãos que me traem,
Me desgastaram e me dispersaram por todos os descaminhos,
Fazendo de mim uma trama onde a aranha insaciada
Se perdeu em cisco e polem, cadáveres e verdades e ilusões.
Mas porém, rio, meu rio, de cujas águas eu nasci,
Eu nem tenho direito mais de ser melancólico e frágil,
Nem de me estrelar nas volúpias inúteis da lágrima!
Eu me reverto às tuas águas espessas de infâmias,
Oliosas, eu, voluntariamente, sofregamente, sujado
De infâmias, egoísmos e traições. E as minhas vozes,
Perdidas do seu tenor, rosnam pesadas e oliosas,
Varando terra adentro no espanto dos mil futuros,
À espera angustiada do ponto. Não do meu ponto final!
Eu desisiti! Mas do ponto entre as águas e a noite,
Daquele ponto leal à terrestre pergunta do homem,
De que o homem há de nascer.Eu vejo; não é por mim,
o meu verso tomando
As cordas oscilantes da serpente, rio.
Toda a graça, todo o prazer da vida se acabou.
Nas tuas águas eu contemplo o Boi Paciência Se afogando,
que o peito das águas tudo soverteu.
Contágios, tradições, brancuras e notícias,
Mudo, esquivo, dentro da noite,
o peito das águas,fechado, mudo,
Mudo e vivo, no despeito estrídulo que me fustiga e devora.
Destino, predestinações... meu destino.
Estas águasDo meu Tietê são abjetas e barrentas,
Dão febre, dão morte decerto, e dão garças e antíteses.
Nem as ondas das suas praias cantam, e no fundo
Das manhãs elas dão gargalhadas frenéticas,
Silvos de tocaias e lamurientos jacarés.
Isto não são águas que se beba, conhecido,
isto sãoÁguas do vício da terra.
Os jabirus e os socós Gargalham depois morrem.
E as antas e os bandeirantes e os ingás,
Depois morrem. Sobra não. Nem siquer o Boi Paciência
Se muda não. Vai tudo ficar na mesma, mas vai!...
e os corposPodres envenenam estas águas completas
no bem e no mal.
Isto não são águas que se beba, conhecido!
Estas águas São malditas e dão morte, eu descobri!
e é por isso Que elas se afastam dos oceanos
e induzem à terra dos homens,Paspalhonas.
Isto não são água que se beba, eu descobri!
E o meu peito das águas se esborrifa, ventarrão vem,
se encapelaEngruvinhado de dor que não se suporta mais.
Me sinto o pai Tietê! ôh força dos meus sovacos!
Cio de amor que me impede, que destrói e fecunda!
Nordeste de impaciente amor sem metáforas,
Que se horroriza e enraivece de sentir-se
Demagogicamente tão sozinho!
Ô força!Incêndio de amor estrondante,
enchente magnânima que me inunda,
Me alarma e me destroça, inerme por sentir-me
Demagogicamente tão só!
A culpa é tua, Pai Tietê? A culpa é tua
Si as tuas águas estão podres de fel
E majestade falsa? A culpa é tua
Onde estão os amigos? Onde estão os inimigos?
Onde estão os pardais?
e os teus estudiosos e sábios, e
Os iletrados?Onde o teu povo? e as mulheres!
dona Hircenuhdis Quiroga!
E os Prados e os crespos e os pratos
e os barbas e os gatos e os línguas
Do Instituto Histórico e Geográfico,
e os museus e a Cúria, e os senhores chantres
reverendíssimos, Celso niil estate varíolas gide memoriam,
Calípedes flogísticos e a Confraria Brasiliense e Clima
E os jornalistas e os trustkistas e a Light e as
Novas ruas abertas e a falta de habitações e Os mercados?...
E a tiradeira divina de Cristo!...Tu és Demagogia.
A própria vida abstrata tem vergonha
De ti em tua ambição fumarenta.
És demagogia em teu coração insubmisso.
És demagogia em teu desequilíbrio anticéptico
E antiuniversitário.És demagogia. Pura demagogia.
Demagogia pura. Mesmo alimpada de metáforas.
Mesmo irrespirável de furor na fala reles:Demagogia.
Tu és enquanto tudo é eternidade e malvasia:
Demagogia.Tu és em meio à (crase) gente pia:Demagogia.
És tu jocoso enquanto o ato gratuito se esvazia:
Demagogia.És demagogia, ninguém chegue perto!
Nem Alberto, nem Adalberto nem Dagoberto
Esperto Ciumento Peripatético e Ceci
E Tancredo e Afrodísio e também Armida
E o próprio Pedro e também Alcibíades,
Ninguém te chegue perto, porque tenhamos o pudor,
O pudor do pudor, sejamos verticais e sutis, bem Sutis!...
E as tuas mãos se emaranham lerdas,
E o Pai Tietê se vai num suspiro educado e sereno,
Porque és demagogia e tudo é demagogia.
Olha os peixes, demagogo incivil!
Repete os carcomidos peixes!
São eles que empurram as águas
e as fazem servir de alimentoÀs areias gordas da margem.
Olha o peixe dourado sonoro,
Esse é um presidente, mantém faixa de crachá no peito,
Acirculado de tubarões que escondendo na fuça rotunda
O perrepismo dos dentes, se revezam na rota solene
Languidamente presidenciais. Ei-vem o tubarão-martelo
E o lambari-spitfire. Ei-vem o boto-ministro.
Ei-vem o peixe-boi com as mil mamicas imprudentes,
Perturbado pelos golfinhos saltitantes e as tabaranas
Em zás-trás dos guapos Pêdêcê e Guaporés.
Eis o peixe-baleia entre os peixes muçuns lineares,
E os bagres do lodo oliva e bilhões de peixins japoneses;
Mas és asnático o peixe-baleia e vai logo encalhar na margem,
Pois quis engolir a própria margem, confundido pela facheada,
Peixes aos mil e mil, como se diz, brincabrincando
De dirigir a corrente com ares de salva-vidas.
E lá vem por debaixo e por de-banda
os interrogativos peixesInternacionais,
uns rubicundos sustentados de mosca,
E os espadartes a trote chique, esses são espadartes!
e as duas Semanas Santas se insultam e odeiam,
na lufa-lufa de ganhar
No bicho o corpo do crucificado.
Mas as águas,As águas choram baixas num murmúrio lívido,
e se difundem Tecidas de peixe e abandono, na mais incompetente solidão.
Vamos, Demagogia! eia! sus! aceita o ventre e investe!
Berra de amor humano impenitente,
Cega, sem lágrimas, ignara, colérica, investe!
Um dia hás de ter razão contra a ciência e a realidade,
E contra os fariseus e as lontras luzidias.
E contra os guarás e os elogiados.
E contra todos os peixes.
E também os mariscos, as ostras e os trairões
fartos de equilíbrio ePundhonor.Pum d'honor.
Qué-de as Juvenilidades Auriverdes!Eu tenho medo...
Meu coração está pequeno, é tantaEssa demagogia,
é tamanha,Que eu tenho medo de abraçar os inimigos,
Em busca apenas dum sabor,Em busca dum olhar,
Um sabor, um olhar, uma certeza...É noite...
Rio! meu rio! meu Tietê!É noite muito!... As formas...
Eu busco em vão as formas
Que me ancorem num porto seguro na terra dos homens.
É noite e tudo é noite.
O rio tristemente Murmura num banzeiro de água pesada e oliosa.
Água noturna, noite líquida... Augúrios mornos afogam
As altas torres do meu exausto coração.
Me sinto esvair no apagado murmulho das águas
Meu pensamento quer pensar, flor, meu peito
Quereria sofrer, talvez (sem metáforas) uma dor irritada...
Mas tudo se desfaz num choro de agoniaPlácida.
Não tem formas nessa noite, e o rio
Recolhe mais esta luz, vibra, reflete, se aclara, refulge,
E me larga desarmado nos transes da enorme cidade.
Si todos esses dinossauros imponentes de luxo e diamante,
Vorazes de genealogia e de arcanos,
Quisessem reconquistar o passado...
Eu me vejo sozinho, arrastando sem músculo
A cauda do pavão e mil olhos de séculos,
Sobretudo os vinte séculos de anticristianismo
Da por todos chamada Civilização Cristã...
Olhos que me intrigam, olhos que me denunciam,
Da cauda do pavão, tão pesada e ilusória.
Não posso continuar mais, não tenho, porque os homens
Não querem me ajudar no meu caminho.
Então a cauda se abriria orgulhosa e reflorescente
De luzes inimagináveis e certezas...
Eu não seria tão-somente o peso deste meu desconsolo,
A lepra do meu castigo queimando nesta epiderme
Que encurta, me encerra e me inutiliza na noite,
Me revertendo minúsculo à advertência do meu rio.
Escuto o rio. Assunto estes balouços em que o rio
Murmura num banzeiro.
E contemplo Como apenas se movimenta escravizada a torrente,
E rola a multidão. Cada onda que abrolha
E se mistura no rolar fatigado é uma dor.
E o surtoMirim dum crime impune.
Vêm de trás o estirão. É tão soluçante e tão longo,
E lá na curva do rio vêm outros estirões e mais outros,
E lá na frente são outros, todos soluçantes e presos
Por curvas que serão sempre apenas as curvas do rio.
Há de todos os assombros, de todas as purezas e martírios
Nesse rolo torvo das águas.
Meu Deus! meuRio! como é possível a torpeza da enchente dos homens!
Quem pode compreender o escravo macho
E multimilenar que escorre e sofre,
e mandado escorreEntre injustiça e impiedade, estreitado
Nas margens e nas areias das praias sequiosas?
Elas bebem e bebem. Não se fartam, deixando com desespero
Que o rosto do galé aquoso ultrapasse esse dia,
Pra ser represado e bebido pelas outras areias
Das praias adiante, que também dominam, aprisionam e mandam
A trágica sina do rolo das águas, e dirigem
O leito impassível da injustiça e da impiedade.
Ondas, a multidão, o rebanho, o rio, meu rio, um rio
Que sobe! Fervilha e sobe! E se adentra fatalizado,
e em vez De ir se alastrar arejado nas liberdades oceânicas,
Em vez se adentra pela terra escura e ávida dos homens,
Dando sangue e vida a beber.
E a massa líquida Da multidão onde tudo se esmigalha e se iguala,
Rola pesada e oliosa, e rola num rumor surdo,
E rola mansa, amansada imensa eterna,
masNo eterno imenso rígido canal da estulta dor.
Porque os homens não me escutam!
Por que os governadoresNão me escutam?
Por que não me escutam
Os plutocratas e todos os que são chefes e são fezes?
Todos os donos da vida? Eu lhes daria o impossível e lhes daria o segredo,
Eu lhes dava tudo aquilo que fica pra cá do grito Metálico dos números,
e tudo O que está além da insinuação cruenta da posse.
E si acaso eles protestassem, que não! que não desejam
A borboleta translúcida da humana vida,
porque preferem O retrato a ólio das inaugurações espontâneas,
Com béstias de operário e do oficial, imediatamente inferior.
E palminhas, e mais os sorrisos das máscaras e a profunda comoção,
Pois não! Melhor que isso eu lhes dava uma felicidade deslumbrante
De que eu consegui me despojar porque tudo sacrifiquei.
Sejamos generosíssimos. E enquanto os chefes e as fezes
De mamadeira ficassem na creche de laca e lacinhos,
Ingênuos brincando de felicidade deslumbrante:
Nós nos iríamos de camisa aberta ao peito,
Descendo verdadeiros ao léu da corrente do rio,
Entrando na terra dos homens ao coro das quatro estações.
Pois que mais uma vez eu me aniquilo sem reserva,
E me estilhaço nas fagulhas eternamente esquecidas,
E me salvo no eternamente esquecido fogo de amor...
Eu estalo de amor e sou só amor arrebatado
Ao fogo irrefletido do amor....
eu já amei sozinho comigo; eu já cultivei também
O amor do amor, Maria!E a carne plena da amante,
e o susto várioDa amiga, e a inconfidência do amigo...
Eu já amei Contigo, Irmão Pequeno,
no exílio da preguiça elevada, escolhido
Pelas águas do túrbido rio do Amazonas, meu outro sinal.
E também, ôh também! na mais impávida glória
Descobridora da minha inconstância e aventura,
Desque me fiz poeta e fui trezentos, eu amei
Todos os homens, odiei a guerra, salvei a paz!
E eu não sabia! eu bailo de ignorâncias inventivas,
E a minha sabedoria vem das fontes que eu não sei!
Quem move meu braço? quem beija por minha boca?
Quem sofre e se gasta pelo meu renascido coração?Quem?
sinão o incêndio nascituro do amor?...
Eu me sinto grimpado no arco da Ponte das Bandeiras,
Bardo mestiço, e o meu verso vence a corda
Da caninana sagrada, e afina com os ventos dos ares,
e enrouquece Úmido nas espumas da água do meu rio,
E se espatifa nas dedilhações brutas do incorpóreo Amor.
Por que os donos da vida não me escutam?
Eu só sei que eu não sei por mim! sabem por mim as fontesDa água, e eu bailo de ignorâncias inventivas.Meu baile é solto como a dor que range, meuBaile é tão vário que possui mil sambas insonhados!Eu converteria o humano crime num baile mais densoQue estas ondas negras de água pesada e oliosa,Porque os meus gestos e os meus ritmos nascemDo incêndio puro do amor... Repetição. Primeira voz sabida, o Verbo.Primeiro troco. Primeiro dinheiro vendido. Repetição logo ignorada.Como é possível que o amor se mostre impotente assimAnte o ouro pelo qual o sacrificam os homens, Trocando a primavera que brinca na face das terrasPelo outro tesouro que dorme no fundo baboso do rio!É noite! é noite!... E tudo é noite! E os meus olhos são noite!Eu não enxergo siquer as barcaças na noite.Só a enorme cidade. E a cidade me chama e pulveriza,E me disfarça numa queixa flébil e comedida,Onde irei encontrar a malícia do Boi PaciênciaRedivivo. Flor. Meu suspiro ferido se agarra,Não quer sair, enche o peito de ardência ardilosa,Abre o olhar, e o meu olhar procura, flor, um tilintarNos ares, nas luzes longe, no peito das águas,No reflexo baixo das nuvens.São formas... Formas que fogem, formasIndivisas, se atropelando, um tilintar de formas fugidiasQue mal se abrem, flor, se fecham, flor, flor, informes inacessíveis,Na noite. E tudo é noite. Rio, o que eu posso fazer!...Rio, meu rio... mas porém há-de haver com certezaOutra vida melhor do outro lado de láDa serra! E hei-de guardar silêncioDeste amor mais perfeito do que os homens?...Estou pequeno, inútil, bicho da terra, derrotado.No entanto eu sou maior... Eu sinto uma grandeza infatigável!Eu sou maior que os vermes e todos os animais.E todos os vegetais. E os vulcões vivos e os oceanos,Maior... Maior que a multidão do rio acorrentado,Maior que a estrela, maior que os adjetivos,Sou homem! vencedor das mortes, bem nascido além dos dias,Transfigurado além das profecias!Eu recuso a paciência, o boi morreu, eu recuso a esperança.Eu me acho tão cansado em meu furor.As águas apenas murmuram hostis, água vil mas turrona paulistaQue sobe e se espraia, levando as auroras represadasPara o peito dos sofrimentos dos homens.... e tudo é noite. Sob o arco admirávelDa Ponte das Bandeiras, morta, dissoluta, fraca, Uma lágrima apenas, uma lágrima,Eu sigo alga escusa nas águas do meu Tietê.

Sobre a Tradução da Bíblia - A/0041

Sobre a Tradução da Bíblia

"Senhor, Abra os Olhos do Rei da Inglaterra!" Por Ennis Meier, desde Washington, EUA.A frase título deste artigo foram as últimas palavras de William Tyndale, antes de morrer queimado numa fogueira. Deveria ter pedido também pelos “doutores em divindade” da Igreja Adventista!Um homem passava pontualmente frente a uma relojoaria todas as manhas e acertava o seu relógio. Um certo dia, o dono da relojoaria lhe disse: -- O senhor gosta de estar sempre com a hora certa! O homem explicou: -- É que eu sou o locutor da rádio e, de cinco em cinco minutos, costumo informar a hora certa aos nossos ouvintes. -- Ra-ra-rá, riu o dono da relojoaria. E disse: -- Nós acertamos os nossos relógios pelo seu programa de rádio! A Constituicao da Inglaterra rezava que quem traduzisse a Biblia para o Inglês sem autorização, seria condenado à morte. Só era permitido circular a “Vulgata Latina”, aprovada por Roma, e ninguém deveria ousar traduzir a Bíblia para o inglês. Contudo, William Tyndale não temeu a morte pela causa da verdade e fez uma tradução da Bíblia a partir dos próprios manuscritos gregos, retificando os erros da Vulgata Latina. Hoje, a King James, João Ferreira de Almeida e outras, no todo ou em parte, trazem os erros da Vulgata Latina! Por muitos anos, as Bíblias protestantes, eram copiadas de pouco mais de três mil Bíblias deixadas por Tyndale. Mas, pouco a pouco os protestantes foram esquecendo a verdade e, hoje, até os Adventistas aderiram aos mesmos erros da Vulgata Latina. Uma dessas raras copias do Novo Testamento de William Tyndale foi comprada pela Biblioteca de Londres por mais de 1 milhão de Libras em 1994.Os Adventistas hoje têm muito a ver com a história do homem que acertava o seu relógio todos os dias em frente à relojoaria!Reproduzo abaixo, em inglês, João 1:1, como está escrito na Bíblia que custou a vida de William Tyndale: Gospel of Saint John 1:1-3: In the beginning was the word, and the word was with God: and the word was God. The same was in the beginning with God. All things were made by it, and without it, was made nothing, that was made. In it was life, and the life was the light of men, and the light shineth in the darkness, but the darkness comprehended it not.É importante notar que Tyndale usa “it” em lugar de “Him”, usado nas traduções baseadas na Vulgata Latina. Na tradução Tyndale, a palavra “word” está em letra minúscula, e não se trata de HIM (Deus) e, sim, do meio pelo qual Deus falou e tudo apareceu (por sua palavra). William Tyndale pagou com a sua vida em 6 de outubro de 1534 por traduzir a Bíblia em conformidade com a maneira pela qual ela foi inspirada por Deus. Pouco adianta, aos adventistas trinitarianos, acertarem seus relógios pela Vulgata Latina, aprovada pelo papa de então! Hoje consegui comprar na loja da Associação Potomac (ABC) um Novo Testamento traduzido por Tyndale. Numa estante, havia dúzias de bíblias adventistas falsas (“The Clear Word”, traduzida por adventistas). Ao lado, apenas três cópias da tradução que custou a vida de um mártir desconhecido na Igreja Adventista.

Pensamento - LI

"Cinco coisas constituem a virtude perfeita: sobriedade, magnanimidade, honestidade, sinceridade e bondade." (Confúcio)

Mensagem do Escritor - M/0105

O Sobrenatural

Durante preleção do Ministro Evangélico Luiz Antônio, (vítima do acidente aéreo da Gol em São Paulo) numa Igreja Pentecostal, senti o impulso vibratório do Alto, quando falava sobre a importância de viver e sentir o Poder do Sobrenatural na trajetória do homem na Terra. Sem esse poder, nada somos, nada podemos fazer, tudo pode ruir. Nas pequenas coisas, nos pequenos gestos, o Poder do Sobrenatural se manifesta, dando-nos a convicção de que “debaixo dessa graça” podemos ser muito mais felizes. Inspirado tema despertava em todos o interesse pelo transcendental, que é a condição do ser humano permanecer mais perto de seu Criador. O consagrado Obreiro teve essa experiência: tinha intimidade com Deus, foi contemplado com visões celestiais, e assim, foi chamado ã Câmara Espiritual, porque essa era a vontade do Deus de seu coração.

Tudo Passa - P/249

Tudo Passa

O tempo passa tão depressa, e como passa!
A vida também passa! Passa, ficando saudade...
Eu passo, todos voamos para algum lugar.
Quem sabe, chegaremos na Eternidade...


Com o passo no compasso, segue a vida...
E passam os anos com tantas lembranças!
Os amores , os planos, enfim tantas coisas:
dissabores , desenganos, desesperanças...

Em passo lento, é possível também chegar;
Em passo apressado, seria talvez um desatino.
E eu passo horas pensando, e a vida passa...
o tempo passa tão depressa, meu menino!

E tudo passa!... o relógio seria um inimigo?
Não creio! Esse instrumento determina...
Tudo é como um vapor, um mistério só:
Nascer, crescer e morrer. Isso é doutrina!


30.07.2008 – Jairo de Lima Alves

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A Alegria de Ser Pai...

Nasceu um Filho Dileto!José Henrique, que veio encher de alegria o lar de Ana Maria e José Vilande
Radiante de alegria está o casal Ana Maria e Pr. José Vilande. Nasceu o primogênito, que recebeu o nome de José Henrique Santos Vilande, uma Dádiva dos Céus. O lindo menino veio ao mundo no dia 11 de julho de 2008, na maternidade do Hospital Evangélico, na Cidade paranaense de Ponta Grossa. O relógio assinalava naquele instante 18h25.
O pai, todo garboso, expressa a satisfação de ter recebido este presente de Deus, e manifesta a alegria com a expressão: Indescritível!
E mais: "Posso hoje compreender muito mais o significado da palavra Pai, e sobretudo entender a ternura do Pai Eterno."