quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Semear para Colher - A/0054

Semear para Colher
As Escrituras comparam a vida presente a uma semeadura, cujo fruto será colhido na vida futura. É Paulo quem o diz: “O que o homem semeia, ele o colherá”. (Gl 6,7). Esta imagem é muito sugestiva. Com efeito, a semeadura é essencialmente relativa à colheita: é a preparação desta e só tem sentido em vista da colheita. Ora, o ser humano, envolvido como está num turbilhão de coisas coloridas e sonoras, corre o perigo de ser por estas assoberbado, de modo a considerar a vida presente como a principal, ficando a vida futura muito vaga e insignificante. Seria algo de que se trataria quando os bens temporais já não mais satisfizessem ao seu usuário. Sim, a cortina dos valores temporais tende a sobrepujar a criatura humana, levando-a, por vezes, a esquecer a reta escala de valores.Ora, a sabedoria, conforme as Escrituras, consiste em que vejamos o aquém em função do além. O critério para julgar o aquém é o além. É o que lembra a parábola do rico insensato: teve uma colheita de trigo tão farta que se preocupou unicamente com a maneira de a conservar. Construiu grandes celeiros, nos quais armazenou o que tinha, certo de que doravante lhe tocaria um futuro feliz, em que faria festa, comendo e bebendo por longos anos. Eis, porém, que, na noite seguinte à descoberta dessa solução, o Deus o arrebatou deste mundo, ficando toda a segurança temporal entregue ao léu (Lc 12:16-21).Ser sábio, portanto, conforme as Escrituras, consiste em lidar ciosamente com as coisas do aquém, tendo sempre em vista a colheita que se fará no além. A Criatura não se pode desinteressar da construção do Reino de Deus neste mundo, mas há de evitar que os bens temporais sobrepujem os definitivos na sua escala de valores.Paulo acentua a proporção que existe entre a semeadura e a colheita: “Quem semeia com parcimônia, com parcimônia colherá, e quem semeia com largueza, com largueza também colherá.”( a realiza perseverante, reconfortando-se com a 2 Cor 9:6). É certo que a semeadura pode ser árdua e sofrida; todavia o Homem tem esperança de que a cada lágrima corresponderá a um sorriso ou a um transbordamento de alegria na vida futura, como sugere o salmista: “Os que semeiam com lágrimas, ceifarão em meio a canções. Vão andando e chorando ao levar a semente; ao voltar, voltam cantando, trazendo seus feixes.” (Sl 126:5s).Semear com largueza... Uma historieta indiana o ilustra: um mendigo viu, certa vez, a carruagem do rei aproximar-se; sentiu grande alegria, pois imaginava que chegara o dia de sair da sua miséria. Aconteceu, porém, que o rei desceu da carruagem e lhe pediu um pouco de trigo. Decepcionado, o mendigo catou o menor grão que tinha, e o entregou. No fim do dia, ao fazer o balanço, verificou que havia um grãozinho de ouro na sua sacola. Compreendeu então que fora mesquinho e deveria ter dado com largueza, pois assim é que ele sairia da miséria.

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