Conhecendo o Sexto SentidoOs sentidos são a porta de entrada para o cérebro, que sozinho não é capaz de detectar grandes coisas. A gente aprende na escola que os sentidos são cinco: tato, visão, audição, olfato e paladar. Mas na verdade são sete.Não, a intuição não é um sentido "extra" - ela é apenas um efeito colateral da maneira como o cérebro trabalha, o tempo todo fazendo predições baseadas nos sentidos e nas experiências anteriores: "é melhor eu ir mais devagar, aquele motorista está fazendo muita besteira", ou "que sujeito mal-encarado, vou esperar ele ir embora antes de entrar em casa". Na maioria das vezes, não acontece nada, e essas previsões passam desapercebidas. Mas quando o previsto acontece, o cérebro, que por natureza já gosta de perceber coincidências, toma nota - e a previsão, confirmada, passa a se chamar de intuição, ou presságio.O sétimo sentido - e o sexto, também - são sentidos verdadeiros, e tão importantes, aliás muito mais do que os outros cinco, que só percebemos que eles existem quando eles não funcionam bem. Enquanto os cinco sentidos bem conhecidos cuidam dos sinais que vêm de fora do corpo, os outros dois cuidam dos sinais do próprio corpo: são os sentidos do movimento e do equilíbrio.Quer ver como eles são importantes? Fique algum tempo sentado em cima de uma das pernas, o suficiente para deixá-la dormente. Dificultando a circulação, você deixa temporariamente asfixiados os sensores localizados nos músculos e nas articulações da sua perna. Seu cérebro deixa de receber informações sobre o quanto cada músculo está contraído, e sobre a posição de cada articulação no espaço, mas não tem como saber que essas informações estão faltando - até que elas realmente façam falta quando você levanta, tenta andar, e ele não "encontra" sua perna para lhe passar as ordens adequadas. Resultado? Um estabaco...Para conhecer o sentido do equilíbrio, é só repetir aquela brincadeira de infância: fique de pé com os olhos fechados, os braços ligeiramente abertos, e comece a girar lentamente para um dos lados. Vá rodando, rodando, rodando... e depois pare com os olhos ainda fechados, ou tente imediatamente correr em linha reta (com os olhos abertos!). Difícil, não é? Os sensores do equilíbrio detectam o movimento de um líquido dentro de canais circulares no ouvido. Quando você começa a rodar, o líquido também roda. O problema é que, com a inércia do líquido, você pode parar de rodar - e sabe disso com os olhos fechados por causa do sentido do movimento, que detecta que seus músculos estão estacionados - mas o líquido continua rodando, dizendo ao cérebro que você também ainda deve estar. Daí a sensação esquisita de "rodar sem rodar".Quando funcionam normalmente, os sentidos do movimento e do equilíbrio são os grandes responsáveis por conseguirmos ficar de pé eretos, equilibrados, com a cabeça bem alinhada no centro do corpo, e por conseguirmos nos mover sem precisar olhar aonde vai a mão, o pé ou a cabeça, ou mesmo com os olhos fechados. Como você vê, sem esses sentidos fica até difícil usar os outros. Se você ainda não estiver convencido, é só perguntar a algum conhecido que tenha tido labirintite, uma inflamação do labirinto, o órgão do sentido do equilíbrio. Quando a inflamação é grave, não dá nem para levantar da cama sem cair.Apenas uma palavra de cautela. Apesar dos sentidos do movimento (também conhecido como propriocepção, para a percepção do próprio corpo) e do equilíbrio serem cada vez mais reconhecidos como verdadeiros sexto e sétimo sentidos, os livros-texto escolares continuam considerando apenas os cinco sentidos tradicionais. E devem continuar considerando apenas 5 sentidos por um bom tempo, já que esse é o tipo de mudança que depende de grandes reformas, já que influencia a correção de provas de escola e vestibulares. Por isso, se perguntarem na escola quantos são os sentidos, eles ainda são cinco. Mas você sabe que tem um sexto, e até um sétimo sentido. E não é a intuição...
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