Quem bebeu minha sopa primordial?Outro dia, um amigo disse: __ Onde há fogo, há fumaça! Por que tantas pessoas acreditariam em disco voador, se não existissem discos voadores?Respondi:__ "Disco voador" é só uma explicação para uma experiência. Pessoas vêem objetos que voam, ou parecem voar, e os explicam como discos voadores.E ele, com ar de glória:__ Eis o "x" da questão! Por que elas escolhem justamente a explicação disco voador e não uma outra, qualquer?Fui obrigado a discordar:__ Não é uma escolha, exatamente. Pessoas "aceitam" a explicação disco-voador. E estas pessoas só podem avistar um "disco voador" porque, antes da experiência, alguém, em algum lugar e pela primeira vez, já havia explicado, com sucesso, que "coisas voando pelo céu" são "discos voadores". É curioso como o senso comum recorre, com freqüência, ao testemunho em quantidade para validar determinada explicação: milhares de pessoas acreditam em discos voadores; milhares de pessoas acreditam em experiências fora do corpo; milhares de pessoas acreditam em reencarnação. Age como se a "verdade" pudesse ser estabelecida por escrutínio e se esquece que a crença em determinado fenômeno prova apenas, e só apenas, a existência da crença.Mas o que faz com que pessoas expliquem coisas no céu como sendo discos voadores? O que faz, afinal, que pessoas expliquem? A reposta é: o desejo de explicar. Somos movidos pelo desejo de explicar e isso faz que com busquemos explicações, reformulações da experiência na linguagem. Então, um belo dia, alguém explicou que coisas pelo céu são discos voadores e esta explicação replicou mundo à fora, até chegar aos ouvidos do meu amigo.Explicações são vivas! Assim como nós, humanos, explicações passam por um processo de seleção natural. Só as mais aptas sobrevivem. Com certeza, existiram outras explicações para "coisas pelo céu" que, hoje, estão extintas. Vivemos, pois, num mundo de explicações sobreviventes e bem adaptadas ao meio. Independente de serem verdadeiras ou falsas, são explicações vencedoras. Por isso, é dura a disputa entre Ciência, Filosofia, Religião e Senso Comum.
Nenhum comentário:
Postar um comentário