terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O Lento Progresso da Humanidade - A/0216

O Lento Progresso da Humanidade
A Raça Humana tem a incrível mania de só avançar quando açoitada e mesmo assim muito vagarosamente. Como bem disse Allan Kardec: “O Ser Humano é como uma estátua, você a enterra por mil anos e quando a desenterra ela está do mesmo jeito”.
Cometemos o erro de impulsionarmos o progresso da civilização sem darmos importância ao aperfeiçoamento da frágil criatura humana.
Nunca se deu a devida atenção à Educação, mesmo quando a Filosofia florescia na Grécia antiga e o Direito despontava em Roma.
A sacerdotisa Pítia, que pronunciava oráculos no templo de Apolo, em Delfos, apontou o
filósofo grego Sócrates como o mais sábio dos homens – e ele foi julgado e condenado à morte ingerindo uma taça de cicuta, acusado de com seus ensinamentos perverter a juventude ateniense. Uma perda irreparável para a busca do saber, uma alardeada vitória para a insensatez política.
Sócrates foi mestre de Platão, que foi mestre de Aristóteles, que foi mestre de Alexandre Magno, rei da Macedônia. E Platão foi o fundador da Academia, escola onde instruía a juventude ateniense na busca do conhecimento – e o fazia sem envolvimento com a política local, pela qual nunca teve simpatias.
Em Roma o filósofo Sêneca foi professor do futuro imperador Nero e, mais tarde, foi pelo mesmo condenado à morte em circunstâncias semelhantes às de Sócrates. Mais um golpe mortal na Filosofia, mais uma vitória retumbante da insanidade política.
Na entrada do templo de Apolo foi gravada a chave do supremo conhecimento: “Conhece-te a ti mesmo”; e séculos mais tarde, Emmanuel, mentor espiritual do saudoso Chico Xavier, ensinaria: “A espiritualidade é a suprema cultura”.
Muitas consciências vieram ao planeta oferecer o concurso de seus trabalhos, disseminando seus conhecimentos como contribuição para o avanço da humanidade terrestre. Podemos citar apenas alguns nomes, pois a lista completa não caberia nestas pálidas páginas: Confúcio, Lao-Tsé, Nostradamus, Herôdoto, Homero, Virgílio, Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, São Francisco de Assis, etc. Artistas diversos como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Bach, Beethoven, Tchaikovsky e muitos outros que aqui retrataram obras belíssimas captadas de outros planos de consciência por eles vividos ou conhecidos. Grandes cérebros que, sintonizados com o nível cósmico, receberam a missão de transmitir obras preciosas como A Divina Comédia (Dante Alighieri), Os Lusíadas (Luiz Vaz de Camões), O Livro dos Espíritos (Allan Kardec) e inúmeras outras de inestimável valor para uma Humanidade carente que avançava lentamente e a passos trôpegos.
No nosso pequeno Sistema planetário o planeta Vênus assumiu sua missão, a de formar Curadores e Marte a sua, de formar Guerreiros, dois dos sete grupos de trabalho que, consoante a Ordem Cósmica, prestam serviços a esta raça dentro da Hierarquia que se aplica ao nosso planeta. Como o planeta Terra ainda não assumiu a sua missão (de também formar Curadores) durante muitos séculos a medicina terrestre avançou lentamente, pois operava com energias enviadas por Vênus. Somente a partir de 1857, com o advento da Nova Era, foi criada na aura do nosso planeta uma universidade, atualmente sob a direção do inesquecível Doutor Bezerra de Menezes, que se dedica a formar médicos e outros profissionais da Saúde. A partir de então a medicina terrestre evoluiu atingindo, atualmente, um nível bastante avançado.
Naquele mesmo ano Allan Kardec lançaria a codificação das leis espíritas com O Livro dos Espíritos, O Evangelho segundo o Espiritismo e outras obras igualmente belas e indispensáveis ao aprimoramento da consciência individual (e coletiva) da Humanidade.
Por este relato superficial podemos deduzir que a Ordem Cósmica nunca deixou a Humanidade terrestre sem apoio e incentivo na sua vagarosa jornada evolutiva. Avançar lentamente é próprio de raças que ainda trilham os caminhos iniciais da evolução. Somos ainda como a criança que ensaia os primeiros passos amparada pelos braços do pai ou da mãe e, por esta razão, o Governo Central do Cosmos enviou um dos membros da Hierarquia Crística para nos guiar. E ele afirmou categoricamente: “Eu sou o caminho da Verdade e da Vida, ninguém vai ao Pai se não através de mim”.
A projeção dele neste plano físico marcou o fim do tempo pagão e a abertura do “Tempo crístico”, ou seja, “o tempo em que as leis humanas começam a se equiparar às leis divinas”. Foi outro grande emissário, João Batista, quem fechou o ciclo pagão e abriu o ciclo cristão e, na margem do Rio Jordão, fez a união na energia espiritual do Enviado (Amor-Sabedoria) com a sua contrapartida física, a água pura e cristalina. Daí ter sido chamado de Batista, aquele que faz o batismo.
A respeito de João Batista disse o Divino Instrutor: “Dentre os nascidos de mulher nenhum é maior que João”; e João reconheceu: “Aquele que vem depois de mim eu não sou digno nem de desatar-lhe as sandálias”.
Dois Grandes Enviados, duas dádivas celestiais ofertadas como faróis a uma Humanidade que tateava no escuro buscando orientação segura para o seu difícil trajeto.
Mas, um grupo de Seres Humanos que evolui a partir de níveis recuados e que penosamente tenta ascender a um degrau mais elevado na escala evolucionária não consegue se livrar tão facilmente das impurezas que os tentam deter, convocando-os a retornar.
A jornada é penosa. Nossos corpos de natureza animal possuem a vida orgânica do reino vegetal e resquícios ainda necessários do reino mineral. A alma, energia projetada pelo espírito, luta sozinha contra as impurezas que atuam influenciando negativamente a criatura humana. As forças involutivas, do astral inferior, se aproveitam dessas fraquezas e, através delas, forçam incessantemente o retrocesso, pois nossos corpos de natureza primitiva possuem sete pontos de energia, sendo quatro negativos e três positivos, o que nos obriga a um duplo esforço: um para avançar e outro, mais intenso, para nos distanciarmos do nível anterior.
A época é de escuridão. O Ser Humano luta pela vida e trabalha apenas para assegurar o alimento material.
Os governantes, insuflados pelas forças contrárias à evolução, armam exércitos para empreender guerras de conquista, aniquilando populações, incorporando territórios aos já controlados, numa insaciável sede de poder e riquezas. As guerras dizimam povos e geram ódios, ressentimentos e desejos de vingança que se transferem deste plano físico para o invisível criando verdadeiros abismos de Seres revoltados, em cuja visão passa a predominar a idéia de retaliação. Ainda não se compreende o Perdão como uma forma de amar.
Os vencedores só se saciam com mais vitórias e alimentam a já incontrolável ambição cultivando as vaidades e a luxuria.
A cada ação corresponde uma reação e, na Ordem Cósmica, uma ação praticada num determinado tempo circulará e na volta será causa de outra ação da mesma natureza e igual intensidade. Ou seja, “cada um colhe o que plantou” ou, no dizer do Divino Instrutor: “A cada um segundo suas obras”.
As religiões entram em ação, cada uma apresentando sua idéia particular de um Deus quase sempre irado e vingativo, que condena ao sofrimento eterno quem não o obedecer cegamente. O Ser Humano, por sua fragilidade, precisa acreditar em algo sublime, superior e a idéia de um Deus proprietário de um paraíso à disposição de quem lhe seguir rigorosamente os ditames é atraente e confortadora.
Cada povo cria e desenvolve um Deus particular e, assim, junto com a religião surge a intolerância religiosa.
Para que um grupo se mantenha forte e unido é necessário que todos os seus membros venerem somente aquele Deus apresentado. Se alguém tiver preferência por outro Deus deverá, obrigatoriamente, se afastar daquela comunidade e ir adorar seu Deus em outro lugar.
Mas, à exceção de alguns povos – como os gregos, que criaram um conjunto de deuses, cada um com uma tarefa determinada e todos com hábitos e defeitos humanos – evoluiu a crença em dois Poderes – o Bem e o Mal -, bem definidos e com seus representantes bem ativos e atuantes.
As religiões sempre exploraram a fraqueza do elemento humano, prometendo a felicidade a quem se submete mansamente às vontades divinas por elas difundidas e propugnadas; e brandindo ameaças de eterno sofrimento para aqueles que ousam se manter distantes dos “sagrados desígnios”.
É ridícula a idéia de um Deus cruel e vingativo. Temos no mundo atual 1,8 bilhão de cristãos numa população global de 6 bilhões de Seres Humanos. Se somente os cristãos receberem senhas para adentrar o paraíso os demais (4,2 bilhões de pessoas) irão todos para o inferno?
O inacreditável é que pessoas aparentemente sensatas acreditem nessas idéias esdrúxulas!
Antoine de Saint-Exupéry escreveu no seu livro O Pequeno Príncipe uma frase que é uma lei cósmica: “Tu te tornas responsável por aquilo que cativas”.
Quando o planeta Terra inclinou-se 180º e a civilização Atlante desapareceu uma pequena parcela da população foi transferida para outros planetas em espaçonaves (parábola da Arca de Noé); e alguns pequenos grupos penetraram às pressas em grandes cavernas intraterrenas antes que o mar revolto os tragasse (parábola de Moisés cruzando o Mar Vermelho). Nesses espaços intraterrenos se formaram grandes reinos habitados até hoje, permanecendo com as entradas devidamente lacradas e disfarçadas, impossíveis de serem localizados pelos habitantes da superfície externa.
Decorridos 400 séculos (parábola de Moisés habitando o deserto por 40 anos) descendentes dos atlantes saíram à superfície na província de Xangai, China. Ao observarem a raça de pele branca (4ª raça) iniciando penosamente uma nova jornada evolutiva acabaram ficando a se miscigenando com os brancos, imprimindo neles (os chineses) suas características fisionômicas; misturando sua cor amarela com o branco e assim gerando a pele de cor amarelada que se nota até hoje nos povos asiáticos; e transmitindo-lhes seus conhecimentos técnicos e sua sabedoria milenar.
Consoante o que determina a lei (Tu te tornas responsável por aquilo que cativas) vieram, seguidamente, vários iniciados à superfície para incentivar o progresso daquele povo, incluindo-se entre eles vários imperadores da Dinastia Xing, sábios como Confúcio e Lao-Tsé e Buda.
O Divino Instrutor não precisou se preocupar com aquele povo, que estava bem encaminhado e era já detentor de um nível avançado de espiritualidade, pois vinha há tempos sendo instruído por grandes mestres. Será que agora irão todos pro inferno por serem budistas e não cristãos? Sejamos sensatos.
A religião afirma que os reis magos vieram do Oriente prestar homenagem ao menino que acabara de nascer. Qual Oriente?
Os chineses sabiam com larga antecedência o ano exato em que entraríamos na Era de Aquário (1988); sabiam da chegada do Divino Instrutor e do sinal que surgiria no céu com a estrela apontando o local exato do nascimento.
A Educação não avançava. Os Grandes Mestres não conseguiam abrir caminhos num emaranhado político gerador de misérias (materiais e espirituais) em meio ao luxo e a sede de poder e riquezas dos governantes; verdadeiras pérolas de conhecimento se perdiam atiradas aos porcos, pois “eles não sabem o que são pérolas”(só para lembrar Salomão).
Na Índia não havia escolas; em Roma a população reclamava do barulho repetitivo dos meninos aprendendo a decorar a tabuada e só os
filhos dos ricos freqüentavam as aulas, levados pelos pedagogos, escravos encarregados dessa tarefa.
A religião estabelece o Tribunal de Inquisição e as “pessoas demoníacas” são submetidas a torturas cruéis e morte na fogueira. Geram-se mais ódios e rancores. O Deus bondoso só não manifesta sua ira para os que lhe obedecem e prostram-se de joelhos e mãos palmeadas à reza diante de sua imagem.
Foi em nome de sua fé que o Califa Omar mandou queimar a Biblioteca de Alexandria, alegando que se aqueles escritos confirmavam o Alcorão eram inúteis, se o contradiziam eram intoleráveis; e as culturas do novo continente (Incas, maias, astecas) foram destruídas, com requintes de crueldade, pois o último imperador asteca foi assado num leito de brasas, sendo colocada uma fruta na sua boca, pois seus gritos estavam incomodando o militar que dera a ordem fatídica. A religião só garante a salvação para os submissos; quem resmungar entra na “peia divina”.
Num mundo onde não se educam os Seres Humanos, culturas milenares são destruídas, bibliotecas valiosíssimas são queimadas e a força das armas representa a vontade dos governantes a Humanidade inteira permanece à deriva, olhando pro céu à espera de um milagre. Mas, enquanto ele não chega, as religiões entoam cânticos e juram que já está a caminho. Deus sabe...
(João Cândido da Silva Neto)

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