sábado, 18 de julho de 2009

Questão Indígena - 1

Grande mídia brasileira falha
na cobertura da questão indígena
Pesquisa realizada na ECA (USP) com jornais de grande circulação nacional aponta que 46,5% das reportagens envolvendo a questão indígena no país não ouve os índios
"Na maioria das vezes, o índio só aparece na TV, no rádio e nos jornais quando há conflito e problemas relacionados à terra"
O jornalismo, da forma como é feito pela grande imprensa brasileira, não contribui para o diálogo intercultural entre índios e não-índios do País. A pesquisa Diálogo Parcial - uma análise da cobertura da imprensa para a questão indígena brasileira, do jornalista Maurício Pimentel Homem de Bittencourt, além de mostrar que o tratamento da imprensa em relação à questão é inadequado, apresenta propostas para melhorar as coberturas sobre o assunto. O estudo foi apresentado na Escola de Comunicações e Artes da USP. Bittencourt pesquisou as reportagens sobre a questão indígena publicadas nos quatro maiores jornais do país ("Folha de S. Paulo", "O Estado de S. Paulo", "O Globo" e "Jornal do Brasil"). "O resultado indica que em 46,5% das reportagens os jornalistas não ouviram o índio", diz. "Isso vai contra um dos princípios básicos do jornalismo, que é consultar os principais envolvidos na notícia." Além do levantamento nos veículos de imprensa, Bittencourt fez quatro visitas a aldeias indígenas nos municípios de Dourados e Tacuru, no Mato Grosso do Sul, e no Pico do Jaraguá, em São Paulo. Também entrevistou seis "comunicadores interculturais" (profissionais que fazem a comunicação entre a sociedade brasileira e as sociedades indígenas) sobre a cobertura do assunto pela mídia. "Entre os entrevistados, o consenso foi de que, na maioria das vezes, o índio só aparece na tevê, no rádio e nos jornais quando há conflito e problemas relacionados à terra", diz o pesquisador. "Por isso, muitas coberturas acabam sendo feitas de forma sensacionalista." Bittencourt lembra que a falta de ética de alguns jornalistas e jornais e a manipulação de interesses também foram aspectos citados pelos entrevistados. "Por não conhecer de forma aprofundada a questão indígena no Brasil, o jornalista acaba sendo manipulado, tanto por índios como por não-índios", acrescenta. Sugestões Baseado nisso, o pesquisador traz sugestões para que os veículos de comunicação melhorem a cobertura dos temas indígenas. "Para ser mais eficiente na construção de um diálogo entre índios e não-índios, sugiro que o jornalista pesquise a cultura da etnia e a história da região a ser abordada, e também consulte algum especialista", explica. "Como em toda reportagem, o jornalista precisa esquecer qualquer tipo de preconceito." Bittencourt argumenta que a falta de sintonia entre a sociedade brasileira e a indígena pode ser considerada um "mal-entendido cultural" - o que é, segundo ele, extremamente prejudicial ao País. "Sem dialogar com os índios, nós deixamos de ter acesso a um patrimônio cultural, social e natural riquíssimo e único. Esse mal-entendido cultural pode ser desfeito. E a mídia, como formadora de opinião, tem um grande papel nesse processo."
(Agência USP de Notícias)
Como vivem os nossos índios
Há mais de 200 comunidades indígenas em nosso país. Grande parte das tribos concentram-se na Amazônia, o restante espalhadas por todo país inclusive perto de grande capitais.
Cada nação indígena tem sua língua e diferenças culturais. Devemos muito a esses povos, que foram os primeiros habitantes do nosso país. Conhecer a cultura indígena é um bom meio de valorizá-la e preservá-la.
O Chefe da Tribo
Os índios vivem em aldeias e, muitas vezes, são comandados por chefes, que são chamados de cacique, tuxánas ou morubixabas. A transmissão da chefia pode ser hereditária (de pai para filho) ou não. Os caciques devem conduzir a aldeia nas mudanças, na guerra, devem manter as tradições, determinar as atividades diárias e responsabilizar-se pelo contato com outras aldeias ou com os civilizados.
Alimentação
Cada povo indígena tem sua tradição com relação à alimentação. Eles produzem sua própria comida, seja praticando agricultura para subsistência, em algumas tribos até vendem o excedente da sua plantação, seja por caça e pesca. O peixe, a banana, a mandioca e o milho são fontes de alimentação na maioria das tribos indígenas. Na pesca, é comum o uso de substâncias vegetais (tingui e timbó, entre outras) que intoxicam e atordoam os peixes, tornando-os presas mais fáceis e não fazem mal ao homem. Há divisões de tarefas por sexo. Geralmente as mulheres preparam as comidas enquanto os homens caçam e pescam. Há tribos que consomem alimentos industrializados que compram com o dinheiro ganho através do comércio de produtos típicos confeccionados nas aldeias e vendidos em feiras.
As Crianças
Em geral, a vida das crianças indígenas ou curumins como são chamadas é bem diferente das nossas crianças. Elas vivem muito integradas à natureza, participam das tradições de sua tribo. Aprendem muito observando os mais velhos em suas tarefas diárias. Também se divertem muito, tomar banho de rio é uma das diversões preferidas. Além disso, brincam de peteca, pião, jogos com sementes, dobraduras, bonecas. Na maioria das aldeias, os pequenos índios também vão à escola. Há momentos de contação de história, em que os mais velhos contam histórias para os curumins, há festas tradicionais em que as crianças participam e aprendem assim, mais da própria cultura. As crianças indígena são muito respeitadas, os adultos sabem e acreditam que elas estão sempre aprendendo. Elas convivem com seus animais de estimação: cachorros, macacos, araras, coatis, papagaios.
Ritos e Mitos
No Brasil, muitas tribos praticam ritos de passagem, que marcam a passagem de um grupo ou indivíduo de uma situação para outra. O nascimento de uma criança é comemorado, assim como a iniciação na vida adulta, o casamento, a morte. Celebram os antepassados como a festa Quarup dos Xavantes no Xingu, região central do Brasil. Uma boa colheita também é comemorada com festejos.
Habitação
A casa do índios não é só a famosa Oca que ouvimos falar. As aldeias não são todas iguais. Há tribos que formam suas casas ao redor de uma região central , local designado para festas. Outras tribos constróem suas casas enfileiradas. Há tribos em que só há uma grande casa e todos moram juntos. As casas podem ser ovais, retangulares ou redondas. De madeira, palha ou cipó. Há aldeias que possuem casas com tijolos.

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