Em 20 de novembro mais de 300 cidades brasileiras comemoram o Dia da Consciência Negra. A data foi escolhida por ser o aniversário da morte de Zumbi dos Palmares. Escravo, Zumbi se revoltou com a situação pela qual ele e os demais negros passavam e liderou o maior quilombo da época. Em 1695, após ser traído por um ex-companheiro rebelde, Zumbi é assassinado.
Quase 200 anos após sua morte, o Brasil aboliu o sistema de escravidão no país e muitos negros começaram a ter oportunidade de se destacar em diversas áreas. Confira abaixo a seleção que a Livraria da Folha preparou de livros que contam a trajetória de personalidades negras de sucesso no esporte, na arte, na política e na história.
-
ESPORTISTAS
"Estrela Solitária" - Respeitado no mundo todo, o futebol brasileiro deve muito deste prestígio a Manoel dos Santos, conhecido popularmente como Mané Garrincha (1933-1983). Graças a ele, a seleção brasileira conquistou a Copa do Mundo de 1958 e, principalmente, a de 1962, quando Pelé se contundiu.
Nesta biografia, Ruy Castro aborda desde a infância pobre do craque das pernas tortas até seus últimos momentos. O autor fez cerca de 500 entrevistas com 170 pessoas que conviveram com o mito, nascendo um relato de alegrias e tragédias, glórias e dramas. Entre mitos, amores e conquistas, o livro fica como um documento definitivo do jogador que era conhecido como a alegria do povo.
*
"Nunca Deixe de Tentar" - De forma simples e direta, Michael Jordan ressalta a importância de fixar metas, manter o foco e não se deixar paralisar pelo medo, e conta como sempre encarou o fracasso como combustível para novas tentativas. O comprometimento, a determinação, o espírito de equipe, a capacidade de liderança e a extrema dedicação do jogador à prática dos fundamentos são analisados, ponto a ponto, por Bernardinho, técnico da seleção brasileira de vôlei masculino.
*
"Didi: O Gênio da Folha-Seca" - O negro esguio, de gestos elegantes e andar empinado, caminha para o fundo das redes e pega a bola. Depois, coloca-a debaixo do braço e, determinado, diz para o resto do time: "Acabou a sopa deles. Agora é a nossa vez. Vamos encher a caçapa desses gringos de gols!". Didi falou, estava falado! E a maior prova disso é que, 86 minutos depois, o placar do Estádio Rasunda, encravado no Vale de Solna, em Estocolmo, apontava em números imponentes, definitivos: Brasil 5 x Suécia 2.
Cumprimentado pelo Rei Gustavo Adolfo, o genial camisa 8 ouve do monarca sueco elogios como os de "Oitava Maravilha do Mundo" e "Mr. Football". Criador da infernal "Folha-Seca" - um chute mortal por ele executado, que fazia a bola ganhar uma trajetória imprevisível para o goleiro -, Didi ainda era capaz de lançamentos perfeitos, de mais de 40 metros. Ou de executar dribles desmoralizantes sobre qualquer adversário.
-
ARTISTAS
"O Aleijadinho e Sua Oficina" - Livro de referência cataloga a obra do grande escultor de arte sacra de Vila Rica, Minas Gerais. Reúne o mais competente grupo de conhecedores do artista e o conjunto inteiro das belíssimas imagens de sua obra devocional. Os textos propõem, pela primeira vez, uma periodização do trabalho do mestre ao longo de seus quase cinqüenta anos de atividade, segundo um consenso dos destacados especialistas do IPHAN envolvidos há décadas com a obra do artista.
Também merece destaque o conjunto fotográfico reunido neste livro, produzido especialmente para ele, e que mostra algumas esculturas em ângulos inéditos.
*
"Queimando Tudo" - Escrita pelo editor da revista americana "Billboard", Timothy White, esta biografia é muito mais que um simples relato da vida de Bob Marley. O livro traça um panorama da vida na Jamaica, sua política, a história dos movimentos negros no continente, o nascimento do reggae e sua evolução até os dias de hoje.
Uma obra fundamental e definitiva sobre um dos maiores artistas do século 20. Aqui, o autor faz importantes revelações sobre a investigação da CIA, a batalha judicial pelo espólio de Bob e a saga musical de seus descendentes, sem falar em uma discografia básica de reggae e da obra completa de Marley.
*
"Nem Vem que Não Tem" - De menino pobre a ídolo pop. De maior astro do país ao banimento sumário dos palcos, da mídia, da história. Wilson Simonal descreveu a mais meteórica e trágica curva de ascensão e queda já vista no Brasil.
Na metade final da década de 1960, Simonal rivalizava apenas com Roberto Carlos em termos de popularidade. Dez anos depois, acusado de ser o mandante do sequestro e tortura de seu contador, foi estigmatizado como delator a serviço da ditadura militar e, oficiosamente, acabou condenado ao ostracismo artístico até morrer em 2000, corroído pelo álcool, pela depressão e pelo esquecimento do público.
Simonal era culpado ou inocente? Dedo-duro ou vítima de difamação movida por rancor, inveja, racismo? O livro se dedica a decifrar um enigma da música popular brasileira: como e por que o Brasil virou as costas para o cantor que era a voz e a cara do Brasil?
-
Nenhum comentário:
Postar um comentário