As Duas Grandes Lojas da Inglaterra
Em 1740 crescia o número de Irlandeses em Londres, muitos dos quais tornaram-se maçons antes de sair da Irlanda. Por razões agora desconhecidas, parecem ter tido dificuldade para entrar em Lojas de Londres, motivo pelo qual em 1751 um grupo deles formou uma Grande Loja rival. Reivindicaram que a primeira Grande Loja tinha feito inovações e desobedecido "os antigos landmarks", propondo-se a trabalhar "de acordo com as antigas instituições concedidas pelo Príncipe Edwin de York em 926 AD". Por esta razão, tornaram-se conhecidos como a Grande Loja dos Antigos e se referiam a seu velho rival como os "Modernos". Apesar de suas diferenças, as duas Grandes Lojas coexistiram em casa e no estrangeiro por quase 63 anos, não reconhecendo uns aos outros ou considerando cada um dos outros membros como Maçons irregulares. Mesmo no centro, entretanto, havia aqueles que eram ativos nas duas Grandes Lojas. Em 1799, a Maçonaria quase parou. Com o surgimento da Revolução Francesa, um certo número de Atos do Parlamento foi emitido numa tentativa de barrar as uniões de comércio, clubes políticos e outras organizações "subversivas". Em 1799, o Ato das Sociedades Ilegais proibiu todas as reuniões de grupos que exigiam que seus membros prestassem juramentos ou obrigação. Earl de Moira (Grão-mestre da primeira Grande Loja) e o Duque de Atholl (Grão-mestre da Grande Loja dos Antigos) convidaram o Primeiro Ministro (William Pitt, que não era maçom) e lhe explicaram que a Maçonaria era defensora da lei e da autoridade legalmente constituída e que muito se envolvia em trabalhos caridosos. Em conseqüência, a Maçonaria isentou seus membros especificamente dos termos do Ato, desde que cada secretário de loja, uma vez por ano, fornecesse ao Funcionário da Paz local uma lista dos membros de sua loja com suas idades, profissões e endereços. Essa providência se manteve até 1967, quando foi revogada pelo Parlamento. Em 1809, as Grandes Lojas rivais indicaram Comissários para negociar uma União equânime. As negociações demoraram quatro anos para terminar, mas, em 27 dezembro de 1813, fez-se um grande cerimonial na Sala dos Maçons, Londres, onde as duas formaram a Grande Loja Unida da Inglaterra, elegendo HRH, o Duque de Sussex (filho mais novo do Rei George III) como Grão-mestre. A União foi um momento de consolidação e de estandardização, que criou a administração básica da Maçonaria - o que continua até hoje. As Lojas de fora de Londres agruparam-se em províncias, baseadas nos velhos Condados, sendo cada uma [província] dirigida por um Grão-mestre Provincial nomeado pelo Grão-mestre. Uma Carta de Propósitos Gerais foi introduzida para formular a política interna e opinar sobre todas as matérias tratadas por ela nas consultas do Grão-mestre ou da Grande Loja. Não tinha poder executivo, mas podia somente relatar à Grande Loja, que se reservou o poder final de decisão. Testes padrão de regalias e jóias foram introduzidos, o que se mantém até hoje. O século XIX foi um período de consolidação e de expansão da Maçonaria Inglesa. O crescimento das cidades industriais e de manufaturas conduziu ao crescimento do número de Lojas urbanas. E o crescimento das ferrovias produziu uma maior mobilidade e uma comunicação mais fácil entre a Grande Loja e as Províncias. O crescimento do número de lojas em centros urbanos conduziu ao desenvolvimento de imponentes Templos Maçônicos, onde muitos sobrevivem até hoje. A eleição de Albert Edward, Príncipe de Gales (posterior a Edward VII) como Grão-mestre em 1874 deu grande impulso à Maçonaria. O príncipe era seu grande defensor e propagador. Aparecia regularmente em público, tanto em casa como no exterior, como Grão-mestre, lançando pedras fundamentais de edifícios públicos, de pontes, de estaleiros e de igrejas, tudo com cerimonial maçônico. Sua presença assegurou a publicidade e relatos das reuniões maçônicas em todos os níveis, aparecendo regularmente na imprensa nacional e local. A Maçonaria estava constantemente nos olhos do público e os Maçons ficaram conhecidos em suas comunidades locais. Em 1814, a Grande Loja cresceu para 2.850 lojas, quando o Príncipe renunciou, tornando-se Rei em 1901.
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