sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Artigo: Relacionamento Amoroso - A/0718

RELACIONAMENTO AMOROSO

Um verdadeiro relacionamento amoroso nunca é a fusão de duas metades, mas sempre a aproximação de dois inteiros. Aquela antiga expressão "encontrei a tampa da minha panela" não representa de forma alguma o que é um relacionamento de amor entre duas pessoas. Os amantes precisam sempre ter a consciência de que são pessoas diferentes. Não existem pessoas iguais.
Um verdadeiro relacionamento amoroso nunca deve ser um relacionamento de submissão, de anulação da personalidade. Pelo contrário, o relacionamento amoroso deve ser um enriquecimento de nosso horizonte existencial. Para isso é necessário que os amantes possam ter a possibilidade de ser eles mesmos, de viverem na autenticidade.
Quando duas pessoas se amam e desejam caminhar juntas devem simultaneamente permitir que o outro seja ele mesmo. Amar significa deixar que o outro seja livre, que a outra pessoa possa verdadeiramente "respirar". O desafio assumido pelos amantes é aprender a viver e amadurecer com a diferença do outro. Na verdade, amar não é ir em busca de sua própria vida, mas descobrir-se realmente vivo na alegria de ver o outro viver.

Este encontro verdadeiro de aprendizagem mútua pressupõe que os amantes sejam fiéis. É necessário compreender, porém, que fidelidade não significa simplesmente "não trair o outro". A traição está na superficialidade do ser fiel. E quando ela acontece, normalmente é porque os amantes já deixaram de ser fiéis há muito tempo.
Fidelidade significa ser transparente diante do outro, deixar que o outro verdadeiramente o conheça. Se isso acontece no relacionamento, evita-se um dos piores venenos de uma relação humana: a desconfiança. Quando os amantes se deixam conhecer, adquirem a real sensação de pisar em solo firme.
Em contrapartida, se existe fidelidade, inevitavelmente existirá o conflito. Justamente por ser o relacionamento amoroso uma aproximação de dois inteiros, de duas pessoas diferentes, ele é em sua essência um relacionamento conflituoso. O conflito pertence à relação humana e principalmente à relação a dois. O casal que diz nunca ter vivenciado uma briga, uma discussão ou um conflito não está falando a verdade. Ou pior: alguém está, na relação, representando um papel, vestindo uma máscara ou sendo submisso.
Se o casal se propõe a viver na autenticidade e na franqueza, o conflito é inevitável, pois as diferenças fatalmente aparecem. O conflito, apesar de doloroso, é saudável. Em primeiro lugar, porque o momento conflituoso revela a autenticidade dos amantes. Em segundo lugar, porque a crise de relacionamento é uma possibilidade de amadurecimento. O conflito, apesar de desagradável, é o momento de reconhecer o erro, de compreender o ponto de vista do outro, de aprender algo novo.
(Padre Beto)

Nenhum comentário:

Postar um comentário