A GEOMETRIA E A ESPIRITUALIDADE
Afirmava Pitágoras que a aritmética é o número em repouso, e a música o número em movimento; a geometria é a grandeza em repouso, e a astronomia a grandeza me movimento. A aritmética, a música, a geometria e a astronomia, eram as quatro artes liberais do sistema pitagórico; Platão acrescentou-lhes a gramática, a retórica e a lógica.
À distância é muito difícil imaginar a importância que os números tiveram na vida dos homens na antigüidade. Vivendo sob o império de forças desconhecidas e magníficas, ao sabor dos azares, viram no culto dos deuses uma maneira de aplacar a natureza. Uma arte que permitiu vislumbrar ordem e unidade no caos, não poderia deixar de ser recebida como uma arte divina e de ser comunicada com o maior respeito. O triângulo e o quadrado, as primeiras figuras, assim como o compasso e o esquadro, as primeiras ferramentas de precisão, não poderiam deixar de ser gravados nos monumentos e de simbolizar o plano da divindade.
Já na Bíblia vemos os números representando palavras, sugerindo idéias e revelando verdades. O Apocalipse pode ser encarado como um livro de "matemática espiritual". Seriam essas visões meras fantasias? Nem tanto: quando Pitágoras afirma que "todas as coisas estão em números, o mundo é uma aritmética viva, uma geometria em repouso", parece que ele tinha podido vislumbrar no microscópio um floco de neve. Um floco de neve forma círculos, quadrados, hexágonos, paralelogramos muito mais perfeitos que os que um ser humano poderia desenhar. Observemos depois a carta de um astrônomo e veremos, no macro, o que acabamos de ver no micro. A mesma configuração tem a gota de água e a estrela. E estão regidas pelas mesmas leis. Ao mesmo tempo devemos recordar que o universo como o vemos hoje é bastante diferente do que imaginavam os antigos. O universo de Einstein, por exemplo, é muito diferente do universo de Newton. O "organismo vivo", como o vemos hoje, não é a "matéria morta" dos antigos. A "geometria viva", como leis vivas e móveis, deveria ser o modelo da Maçonaria progressista, e não as regras mortas da "geometria em repouso".
Nos diz HENRI FABRE que "a geometria, ou ciência da harmonia no espaço, preside todas as coisas. Encontramos na disposição de uma pinha o mesmo que em uma teia de aranha, na concha do caracol ou na órbita de um planeta. É tão perfeita no mundo dos átomos como no universo dos sóis, demonstrando-nos a existência de um Geômetra Universal cujo divino compasso mediu todas as coisas". O postulado 47 de Euclides figurou como frontispício da Constituição de Andersen de 1723, onde se lê que o postulado "se devidamente observado, é o fundamento de toda maçonaria sagrada, civil ou militar". Se não há átomo no universo que não obedeça às leis da geometria, serão as leis morais e as leis do espírito menos rigorosas que as físicas? Quando apareceu a vida, quando brotaram a consciência e a moral, novas forças nos apresentaram novos fatos, mas estariam eles menos sujeitos às leis universais que a matemática expressa? O universo produziu a bondade, a beleza, a verdade, a abnegação, tanto quanto produziu o ferro e o potássio. Na obra Sermões de um Químico, E. E. SLOSSON, homem de tanta ciência quanto espiritualidade, nos diz: "A Verdade é uma; os erros são infinitos. De cada dez idéias que acodem à nossa mente, nove são erradas, e o objeto da educação é selecionar a verdadeira de entre as dez. De cada dez impulsos que nos assediam, nove são impróprios e a tarefa da cultura é suprimí-los.
(...) É um postulado da geometria que entre dois pontos só se pode traçar uma linha reta. Do ponto onde estamos, ao ponto onde queremos chegar, há um só caminho reto; todos os demais são divergentes e desviantes. As regras de conduta são tão rigorosas quanto as geométricas. A única diferença é que não podemos ver isso com tanta clareza na Ética quanto na Matemática. A neblina obscurece nosso caminho, mas não altera em nada seu comprimento ou direção. Só há um melhor movimento no xadrez, conheçamo-lo ou não. Só há uma sábia ação em cada vicissitude da vida, saibamo-la ou não. Tal é o mundo em que estamos colocados para achar nosso caminho. Um mundo governado por leis. Nada se move ao acaso. No átomo ou no sol, reina a geometria por vontade do Eterno Geômetra.
(...) ".Podemos dizer que a Maçonaria é uma geometria moral que enriquece o maçom com úteis conhecimentos, e, enquanto demonstra as admiráveis propriedades da natureza, demonstra as importantíssimas verdades da moral. A vida interna do homem -de fé, esperança e amor- é um reino de lei onde a liberdade, a beleza e o poder são os troféus da fiel obediência e do esforço disciplinado.
Quem construir sua vida conforme os princípios da retidão moral, erigirá um caráter tão estável quanto a casa que o homem prudente do Evangelho erigiu sobre a rocha. A moralidade é o fundamento do Primeiro Grau na Maçonaria. É a obrigação de sermos compreensivos e tolerantes. No Segundo Grau somos exortados a cultivar a mente, pelo estudo das artes e das ciências. É a obrigação moral de sermos hábeis e inteligentes. O Templo é o termo final, a meta da Maçonaria. Construí-lo, fortificá-lo e adorná-lo é nosso dever e cada maçom deve ser uma pedra vida desse Templo, onde os Homens devem encontrar seu abrigo. A altura da Alma deve ser igual à sua largura.
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