quarta-feira, 17 de março de 2010

Artigo: Nasci não sei quando - A/0759

Nasci não sei quando

Sei que no princípio eu era operativa, entre romanos e medievos, depois me tornei especulativa, condição que trago até os dias atuais.
Em meu nome ergueram templos de pedra e os encheram com aqueles que ainda hoje não me compreendem.
Em meu nome, se fantasiaram e se engalanaram. Em meu nome, fizeram-se falsos homens de bem. Em meu nome, buscaram o poder pelo poder. Em meu nome, delegaram-se sapientes e iniciados. Em meu nome, fizeram-se donos da verdade. Em meu nome, perseguiram mais do que ajudaram. Especializaram-se neste métier. Em meu nome, ludibriaram e enganaram. Em meu nome, me dividiram, como se eu não fosse uma só; um ledo engano. Em meu nome, retiraram dos meus rituais a essência dos ensinamentos do meu criador. Em meu nome, criaram graus e degraus, como forma de serem importantes por estas conquistas, não pelo trabalho interior e exterior de cada um. Em meu nome, criaram e criam vários ritos, tudo no grito. Em meu nome, ganham a vida criando estórias e arregimentando seguidores para estas, para mais tarde se desmentirem. Em meu nome, fazem leis e normas para favorecê-los, ou para tentar calar o meu grito através dos que me entendem e tentam me defender. Em meu nome, usam a sociedade para benefício próprio e de seus apadrinhados ou cúmplices. Em meu nome, criam até rituais onde o iniciado não necessita crer no GADU (Deus), coitados, não sabem nem ao menos o que é uma iniciação. Em meu nome, iniciam sem jamais iniciar. Em meu nome, colocam-se como Maçom, sem jamais se preocuparem, em tornarem-se um deles, verdadeiramente, um dia. Em meu nome, relegam a um segundo plano o verdadeiro sentido da iniciação. Em meu nome, fazem sessões rápidas, maquinalmente, sem propósito algum, para sobrar mais tempo para a sessão gastronômica. Em meu nome, sim, em meu nome, fazem tanta coisa errada que até fico constrangida em aqui me apresentar. Eu sou justa, sou perfeita, nasci para ajudar o homem a se aproximar do nosso Criador que é o DEUS de toda a Humanidade. Eu sou justa, sou perfeita, dei os símbolos como meio didático para o homem melhor me compreender e praticar nossos mais puros mandamentos. Eu sou justa, sou perfeita, criei o ritual para poderem com os símbolos melhor me compreenderem e me entenderem. Eu sou justa, sou perfeita, pensei que o homem poderia através dos símbolos e dos rituais interagir melhor com as forças energéticas positivas do universo. Eu sou justa, sou perfeita, chamei o homem de pedra bruta para que ele sentisse e compreendesse a necessidade de se lapidar. Eu sou justa, sou perfeita, mostrei ao homem que o templo físico deveria ser uma representação do universo, só que alguns não entenderam que tudo ali é sagrado, é uma das muitas moradas do meu Pai. Ali não há lugar para a inveja, o ciúme, a disputa, a vaidade, a intemperança, a raiva, a injúria e o juízo de valor. Eu sou justa, sou perfeita, até deixo o homem dizer que eu tenho segredos; estes, se existem, são administrativos, como qualquer sociedade que um dia foi ou é perseguida tem como forma de proteger os seus membros. Eu sou justa, sou perfeita, nasci para ajudar todos os homens, independentemente do sexo, raça, cor, religiosidade ou posição social a se transformar em um iniciado, ou seja, num homem, e, consequentemente um espírito de LUZ.
Toda a humanidade terá, forçosamente, que chegar neste estágio. Assim está escrito e assim se cumprirá.
Eu sou justa, sou perfeita, a todos e a tudo levo o meu perdão, mas, por favor, sejam dignos de mim, não me maltratem; socorram-me.
O meu nome? Sim, o meu nome é MAÇONARIA.

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