de conceitos da
Religião
Mediunidade é o nome atribuído a uma capacidade humana
que permite uma comunicação entre homens e Espíritos. Ela se manifesta
independentemente da religião, de forma mais ou menos intensa em todos os
indivíduos. A classificação dos médiuns é feita da seguinte forma: a quem essa
faculdade é detectada, ou seja, existe atividade, são chamadas de médiuns
ativos , e as pessoas em que essa atividade não é detectada são chamadas de
médiuns passivos.
Assim, um espírito que deseja comunicar-se entra em
contato com a mente do médium ativo, e, por esse meio, pode se comunicar por
várias formas, como oralmente (psicofonia), pela escrita (psicografia), ou
ainda se fazendo visível ao médium (vidência). Fenômenos de ordem física
incluem levitações (poltergeist), batidas (tiptologia), escrita direta
(pneumatografia), voz direta (pneumatofonia), voz eletrônica (electronic voice
phenomena), dentre outros. Também há a mediunidade de psicometria, que é muito
usada como ajuda para a polícia, consiste em um médium ler impressões e
recordações pelo contato com objetos comuns; e a mediunidade de cura, como
acontece através do médium João de Deus e outros Espiritualistas.
Os parapsicólogos forenses, também conhecidos como
investigadores psíquicos (do inglês Psychic Witness), são médiuns que trabalham
em conjunto com a polícia na investigação de crimes de difícil
solução (inexistência de testemunhas, escassez de provas, excesso de
suspeitos). O papel desses paranormais, segundo Sérgio Pereira Couto em artigo
na revista Ciência Criminal, "consiste basicamente em captar sensações
sobre o que aconteceu nos locais dos crimes e passar as informações para que os
detetives tomem as devidas providências administrativas, incluindo a detenção
de suspeitos para interrogatório".
Com o sucesso dos seriados em canais pagos que tratam do
tema, as polícias de diversos estados americanos passaram a admitir em público
o uso de paranormais em investigações onde a tecnologia mostra-se insuficiente.
Na segunda metade do século XIX diversos médiuns foram
levados a realizar testes que tornaram supostamente plausíveis a existência de
espíritos, por exemplo as médiuns Leonora Piper e Gladys Osborne Leonard. Os
resultados obtidos na época, com cada uma dessas médiuns, foram bastante
convincentes. Piper foi tão famosa que chegou a ser citada na Enciclopédia
Britânica de 1911 em dois verbetes, e ainda admitida no discurso de William
James publicado pela revista Science como possuidora de poderes paranormais.
O neurocientista Núbor Orlando Facure diz que a
mediunidade é um fenômeno fisiológico, universal comum a todas as pessoas, e
que pode se manifestar de diferentes maneiras. Nos estudos que realiza, busca
compreender a relação entre os núcleos de base dos automatismos psico-motores e
aqueles que geram o fenômeno da mediunidade. Facure também diz que isso são apenas
conjecturas e que atualmente não existe comprovação científica de que o
fenômeno se dê dessa forma.
Em pesquisa realizada por Frederico Leão e Francisco
Lotufo, Médicos-psiquiatra da Faculdade de Medicina da Universidade de São
Paulo, constatou-se uma melhora dos aspectos clínicos e comportamentais de
"650 pacientes portadores de deficiências mental e múltiplas" ao
submetê-los a um tratamento espiritual realizado através de reuniões
mediúnicas. Como resultado do estudo, os autores sugerem a "aplicação do
modelo de prática das comunicações mediúnicas como terapias
complementares".
Outra importante pesquisa foi realizada pelo médico
psiquiatra Alexander Moreira de Almeida, que no dia 22 de fevereiro de 2005
defendeu a tese Fenomenologia das Experiências Mediúnicas, perfil e
psicopatologia de médiuns, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas
da FMUSP, da Faculdade de Medicina da USP. A tese pretendeu traçar um perfil de
saúde mental de 115 médiuns espíritas (escolhidos aleatoriamente), na qual
foram testados e entrevistados com apurados instrumentos da Psiquiatria. Na
conclusão do trabalho, Almeida diz que "os médiuns estudados evidenciaram
alto nível socioeducacional, baixa prevalência de transtornos psiquiátricos
menores e razoável adequação social. A mediunidade provavelmente se constitui
numa vivência diferente do transtorno de identidade dissociativa. A maioria
teve o início de suas manifestações mediúnicas na infância, e estas,
atualmente, se caracterizam por vivências de influência ou alucinatórias, que
não necessariamente implicam num diagnóstico de esquizofrenia".
Desta forma, constatou-se que os médiuns estudados
apresentaram boa saúde mental, apesar dos sintomas de visões ou interferências
de pensamentos alheios, que não são sintomas de loucura, mas outro tipo de
vivência, chamada pelos estudiosos de Mediunidade. (Artigo adaptado para esta
Coluna, extraido do site ignotus.com.br)

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