quinta-feira, 12 de junho de 2014

Artigo: No Campo, a disputa pela Vida - A/01599

No Campo, a disputa pela Vida

A partida de futebol começou! E foi dada a partida da vida no momento de sua concepção. Você foi escalado para o jogo, e agora entra em campo confiante, disposto a dar de si seu melhor. A vida de uma criancinha é assim: ela simplesmente vive o agora, o seu melhor!  Ela é a própria esperança nas suas ações cotidianas, pois ela faz bem o seu dever. Ela brinca com a bola, brinca com os anjos, mas sobretudo sonha!...
Mas agora não é hora de sonhar: é hora de driblar, de passar a bola, de velozmente “sacar” a estratégia de jogo a cada instante. Você está no domínio da bola, e aí vem já o adversário: que fazer? Continuar driblando e driblando e intentar sozinho a meta do gol? Ou dar aquele belo passe para o Neimar que já se posicionou e agora chega perto da grande área? A escolha é sempre nossa. Nas nossas partidas vivenciais, temos necessariamente que caminhar, ou melhor, jogar, com nossas próprias pernas. Temos que ter a independência em cada ação, pensamento, intenção. Mas também, como no futebol, ganhar o jogo depende fundamentalmente do espírito de equipe. Exatamente como na vida: Somos uma família, somos por assim dizer, um só com nossos filhos, cômjuge, pais, irmãos, sobrinhos...amigos...  E precisamos pensar como sendo todos os integrantes parceiros, companheiros de equipe para a Grande Partida do jogo da vida.
Uma andorinha sozinha não faz verão, mas todo o time de futebol como nossa família, nossa sociedade, nosso mundo em harmonia, todos respeitando sua própria individualidade mas ao mesmo tempo contando e se fazendo contar por todo mundo, podemos fazer muitos gols de placa, de bicicleta, de cabeça. Quando emplacamos nosso aprendizado e carreira, quando forçamos nossos músculos na corrida em campo, quando mergulhamos de cabeça no instante do agora onde se desenrola mais uma etapa de vida, mais uma partida – que precisa ser toda inteira, íntegra – no futebol de nossa arte, de nossa perspicácia, de nossa perseverança para nossas metas intermediárias da vida.
Para alcançarmos um gol, precisamos vencer barreira por barreira: vencer a nós mesmos, nos superando sempre, traçar instantâneas estratégias em colaboração com os demais companheiros, nossos colegas de equipes da jornada vivencial; superarmos nossas dúvidas, concorrer conosco mesmos e nos engrandecer em Fé, Coragem e muita raça! Mu É preciso para chegar ao gol passar por inúmeros adversários, aumentar nosso discernimento, chutar com precisão. Manter sempre o entusiasmo e a convicção de que podemos, sim, e que podemos cada vez mais.
Na vida, é a mesma coisa: Os problemas, as condições adversas, os desafios de autosuperação e autoreprogramação são imprescindíveis ferramentas para nos aprimorar, para nos capacitar a andar para frente, para conseguir nossos objetivos de curto, médio e longo prazo: o gol de nossa própria vitória individual, respaldada sempre pela vitória de todo o nosso time, que depende de nós como dependemos deles, para vencer a partida. Para culminarmos com êxito nosso jogo existencial e alcançarmos a plenitude dos céus, sentir o incomparável gostinho do dever cumprido em nossa existência, para saborearmos e comemorarmos a vitória de nossa vida, bem vivida, bem “jogada”, de forma sempre mutável e dinâmica tal como o movimento de uma partida de futebol.
Até que vem o intervalo do jogo. Do travesseiro, do sono. E também o momento de pararmos, divertimo-nos, mas, sobretudo, pensar com reflexão o que fizemos, como foi o jogo até aqui, e o que podemos melhorar, qual será a nossa nova estratégia para jogar. Não permita que a vida, ou as circunstancias dela te joguem para escanteio. Saiba que o homem ou a mulher não é produto das circunstancias, mas que é o próprio homem ou mulher que faz, que cria e recria, que encena, que entabula, que provoca, que ata e desata as circunstancias!
Ao bater um pênalti, pense antes em como é importante a concentração em tudo o que fazemos: a concentração no trabalho, no lazer, no estudo, nas nossas metas; a concentração na atenção que possamos oferecer a quem de nós necessita de um ouvido compassivo, a atenção principalmente em viver no momento presente, olvidando o passado – que já era, tipo a bola na trave, e sem preocupações com o final do jogo, porque o que importa é jogar cada lance com maestria, totalmente presente em  cada instante. E o gol virá! E seus objetivos de pai, mãe, irmão, esposo(a), amigos se concretizarão. O êxito em seus negócios e amores se fará desde o momento em que você dominar a sua própria bola vivencial, isto é, quando você decidir de uma vez por todas que é um ser social, singular, especial, competente, mas, primordialmente, um ser único, independente!
Portanto, não passe a bola outorgando ao outro o que é de sua competência realizar ou delegando à “circunstancias”, situações ou posses, a sua própria felicidade enquanto pessoa, enquanto uma alma que aqui está na matéria jogando a peleja da vida.
No time da vida todos somos artilheiros. E também somos em nós mesmos, goleiros. Não podemos deixar a bola passar, isto é, precisamos estar atentos e inteiros às oportunidades que a vida nos oferece – alguns as chamam de destino – e saber aproveitá-las a tempo e a hora, como no futebol. Em muitos momentos temos várias oportunidades com a bola; mas chega um instante - no final do primeiro tempo ou no finalzinho do jogo, que a oportunidade para gol é única: Você precisa aproveitar e muito bem essa chance. Agora ou agora! Você deve assumir o risco calculado de um novo negócio. Estudar para passar num concurso. Dizer o que seu coração sente: Eu te amo! – E, decididamente, como um gol de cabeça, apostar toda a sua alma nos seus relacionamentos, sabendo no entanto, que tudo depende de você: o próprio relacionamento, o casamento, o emprego, o negócio, o ideal, o sonho... A concretização de suas virtudes no campo da vida!
E a torcida? Ela é muito importante para o jogo de futebol e seus times. Saiba que muitas pessoas que te amam ou que simplesmente te são parceiras no aprendizado da vida, ao modo delas, torcem por você. Por seu êxito, por seu sucesso, por sua felicidade. Torça também por elas! Torça pela felicidade de sua família sem exceção. Torça por sua empresa, por seu patrão, por seus funcionários, por seus filhos e também na figura de todos aqueles que devem ser tratados como filhos, ou irmãos!
Torça pelo seu time e pulse amor em seu coração com todo o vigor para aquele que começa a sua partida agora. Torça pela vida! Torça pela grande façanha da arte do futebol de suas relações! É hora de torcermuito pelo Brasil!  Mas lembre-se: antes torça muito, mas muito mesmo por um grande astro do futebol da vida: você mesmo!
Durante a partida, numa certa jogada, você pode se machucar ou machucar alguém. Assim acontece também com nossos amigos e semelhantes. Eventualmente, eles o machucarão - voluntária ou involuntariamente - mas você precisará perdoá-los ou pedir perdão; compreendê-los, relevá-los, buscar na próxima jogada um pouco mais de compaixão e perfeição.
O sofrimento faz parte do jogo, e o jogo da vida representa uma oportunidade valiosa da famosa “paradinha” para reflexão, redirecionamento, recomeço e autosuperação. O sofrimento nos faz assim, crescer. Como no jogo: ir além de si mesmo, testando e superando seus limites faz parte de um “sofrimento” passageiro, embora necessário, para um final feliz de partida. No futebol, nos esportes, na nossa jornada pela estrada da arte de nossa vida, vamos ganhando sabedoria e perdendo ignorância. Tudo faz parte. Sucessos e fracassos. Chegadas e partidas. Cair e levantar. Ai de nós se assim não fosse! Quando perdemos uma bola somamos no nosso repertório do saber mais um recurso, quando perdemos algo ou alguém é preciso saber que já cumpriram o papel existencial conosco. E que o Altíssimo tem felizes e melhores planos em novos caminhos para nós e para eles. Mas que sempre, invariavelmente sempre, haveremos de reencontrar um dia a quem tanto amamos. Porque o Juiz Supremo nos proporcionou uma Substituição. Que inexoravelmente aparecerão!
É sempre bom interceder por todos: pelos parceiros e pelo adversário. Sim, pelos adversários na vida! Jesus não disse isso? - “Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo!” – Sim, mas como no futebol, como em todos os esportes, como na luta pessoal e profissional na lide da vida... tudo, tudo precisa de treinamento. Não só o treinamento físico, mas também o  treinamento emocional, psicológico e espiritual. O condicionamento para se jogar bem o futebol da galera. O treinamento de nossas virtudes, treinando a honestidade para consigo próprio, a paciência, o relevar, a persistência, a tolerância, a dedicação, a nobreza de ideais. O próprio amor: tudo precisa de treinamento diário, como no nosso cotidiano se treina para amar o próximo.
Mas não é fácil. Quando não dá – e muitas vezes isto acontece – podemos começar nosso treino principiando com respeito. Respeito ao modo de ser de cada irmão, respeito às diferenças de credo, de situação econômico-social, de raça, respeito pelos torcedores dos outros times. Mas se não é fácil, também nada é tão difícil, assim quando vamos à luta e tentamos, sinceramente intentamos, decidimos fazer.  E assim nos superamos. E vamos ficando cada vez mais aptos, mais capazes, mais vivos!  Que em tua partida haja sempre a colaboração e a paz do silencio interior, estratégico e reflexivo!
Que em tua vida haja sempre muito amor, amor por todos os entes queridos e para aqueles jogadores que não conheces ainda. Na forma de harmonia, de paz, de generosidade, de gentileza; na inteireza do infinito de teu ser. Que durante a partida você faça muitos gols, milhares deles no decorrer de teu Campeonato. E que possas, assim no campo como na vida, exatamente como no futebol onde nem sempre se ganha o jogo, mas sobretudo, que possas ganhar o pleno êxito da jornada na Terra. E poderás dizer a ti mesmo no final da partida, na reta final da existência: Valeu meu Deus, tudo valeu a pena!
E quando o Grande Árbitro tocar o apito final, sorrirás satisfeito e feliz com tua alma por ver o teu dever, a tua missão cumprida. Não com perfeição plena, pois ainda estamos na conquista dela, mas pelo que pudeste fazer ou não de tua vida.  Por fim teras a recompensa que é dada aos bons e justos: a Taça de Campeão, a Taça da Eternidade! O teu encontro com o Supremo Juiz, na liga de futebol da Confederação dos Céus. O teu encontro com Deus, com o amado Jesus que te espera de braços abertos para comemorar a tua vitória; pois na tua vida, em teu campeonato, apesar de tantos tropeços e desafios, conseguiste jogar, e jogar bem, afinal.
É Gooooool!...
(Ivanildo Falcão da Gama – Caldas Novas (GO), 14 de maio de 2010)

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