O Brasil construiu o maior estádio de futebol do planeta para sediar a Copa do Mundo da FIFA 1950, mas a esperança de consagrar o gigantesco Maracanã com o primeiro título mundial foi destruída após uma das maiores surpresas da história da competição.
A Copa do
Mundo da FIFA 1950 não teve final, pois foi decidida em um quadrangular. Mesmo
assim, Brasil e Uruguai fizeram justamente na última rodada da fase final a
partida que decidiu o torneio. Precisando de somente um empate, a seleção
brasileira abriu o marcador com Friaça aos dois minutos do segundo tempo, mas o
Uruguai conseguiu a virada com gols de Juan Schiaffino e Alcides Ghiggia. Um
silêncio ensurdecedor de 200 mil vozes foi ouvido no Maracanã, e o pequeno país
vizinho comemorou no Brasil o seu segundo título mundial. A copa de 1950
aconteceu entre 24 Junho 1950 a 16 Julho 1950, com apenas 22 jogos e 13
seleções. O Presidente do Brasil na época era Eurico Gaspar Dutra.
O Uruguai,
campeão mundial em 1930, só precisou disputar uma partida (goleou a Bolívia por
8 a 0) para chegar ao quadrangular final. Na fase decisiva, o selecionado saiu
perdendo todas as três partidas, mas conseguiu na última a virada que entrou
para a história como o Maracanazo.
A
competição no Brasil foi a primeira Copa do Mundo da FIFA após a Segunda Guerra
Mundial. Durante todo o conflito, o cobiçado troféu ficara escondido em uma
caixa de sapatos sob a cama do italiano Ottorino Barassi, vice-presidente da
FIFA. Com o retorno da paz, ele ganhou o nome de Taça Jules Rimet para
comemorar o renascimento da competição.
Treze
participantes
Apenas 13 seleções disputaram o título no Brasil devido à ausência de países do Leste Europeu e a uma série de desistências de peso, especialmente de Argentina e França — esta última em protesto contra um itinerário que envolveria uma viagem de 3.500 km entre uma partida e outra.
Apenas 13 seleções disputaram o título no Brasil devido à ausência de países do Leste Europeu e a uma série de desistências de peso, especialmente de Argentina e França — esta última em protesto contra um itinerário que envolveria uma viagem de 3.500 km entre uma partida e outra.
A
Inglaterra estava presente pela primeira vez depois de vencer um torneio entre
os países das Ilhas Britânicas. Por outro lado, a Escócia, que teria o direito
de viajar depois de ficar em segundo lugar, recusou a oportunidade. Quem também
se classificou, mas não quis jogar, foi a Turquia. Já a Índia disse não porque
a FIFA não permitiria que seus atletas jogassem de pés descalços. Os cinco
participantes sul-americanos não precisaram disputar nenhuma partida nas
eliminatórias.
O torneio
teve uma primeira fase bastante incomum, com as seleções divididas em dois
grupos de quatro países, um grupo de três e ainda um grupo com somente Uruguai
e Bolívia.
O Maracanã
era um monumento à ambição brasileira, e os homens comandados por Flávio Costa
superaram a expectativa na estreia e abriram a campanha com uma goleada de 4 a
0 sobre o México.
Porém, o
empate em 2 a 2 com a Suíça deixou o Brasil precisando de uma vitória no último
jogo diante da Iugoslávia. Na partida que decidiu o grupo, os brasileiros
tiveram um pouquinho de sorte quando o atacante iugoslavo Rajko Mitić machucou
a cabeça ao subir as escadarias para o gramado do Maracanã. Ele ainda estava
sendo atendido quando Ademir abriu o placar para o Brasil, que definiu o
marcador com Zizinho no segundo tempo.
Enquanto o
Brasil avançava, a campeã Itália era eliminada ao ser derrotada pela Suécia por
3 a 2. Os escandinavos, todos amadores, haviam perdido Gunnar Gren, Gunnar
Nordahl e Nils Liedholm para a Série A italiana após o título olímpico em 1948.
Mas os jogadores dirigidos pelo inglês George Raynor ainda tinham o suficiente
para superar a Itália, que perdera muitos dos seus principais atletas no ano
anterior em um terrível acidente aéreo que tirara a vida de 19 jogadores do
Torino.
Surpresa
norte-americana
Com o terceiro lugar da Suécia, Raynor foi o único inglês a comemorar algo no Brasil. A seleção do país que inventou o futebol moderno fez muito feio na sua primeira participação na Copa do Mundo da FIFA. A Inglaterra chegou mal-preparada e pagou caro em Belo Horizonte com uma derrota por 1 a 0 para os Estados Unidos. Treinados pelo escocês Bill Jeffrey, os americanos haviam estreado com derrota para a Espanha, mas tinham aberto o marcador e permanecido na frente do placar durante a maior parte do jogo contra nesse revés. No entanto, contra a Inglaterra, tiveram a ajuda da sorte para manter a vantagem assegurada com um gol de Joe Gaetjens no primeiro tempo.
Com o terceiro lugar da Suécia, Raynor foi o único inglês a comemorar algo no Brasil. A seleção do país que inventou o futebol moderno fez muito feio na sua primeira participação na Copa do Mundo da FIFA. A Inglaterra chegou mal-preparada e pagou caro em Belo Horizonte com uma derrota por 1 a 0 para os Estados Unidos. Treinados pelo escocês Bill Jeffrey, os americanos haviam estreado com derrota para a Espanha, mas tinham aberto o marcador e permanecido na frente do placar durante a maior parte do jogo contra nesse revés. No entanto, contra a Inglaterra, tiveram a ajuda da sorte para manter a vantagem assegurada com um gol de Joe Gaetjens no primeiro tempo.
Na
Inglaterra, alguns jornais acharam que o resultado era um erro de digitação e
publicaram que a partida havia terminado em 10 a 1. No fim, a seleção inglesa
voltou para casa bem mais cedo do que esperava após outra derrota por 1 a 0
para a Espanha, com um gol de Zarra. Entre os homens que escreveram uma das
páginas mais lamentáveis da história do futebol inglês estava o lateral-direito
Alf Ramsey, que se redimiu como treinador ao conquistar o título mundial em
1966.
No
quadrangular final, o Brasil estreou com tudo ao golear a Suécia por 7 a 1 com
quatro gols de Ademir, artilheiro da competição anotados. Com uma nova goleada
por 6 a 1 diante da Espanha, os brasileiros ficaram com uma mão no troféu. Só
precisavam empatar na última rodada com o Uruguai, que vinha de um empate em 2
a 2 com a Suécia e uma vitória por 3 a 2 sobre a Espanha, em ambos os casos
chegando ao intervalo em desvantagem.
Embora o
Uruguai tivesse vencido um dos três amistosos entre os dois países dois meses
antes da competição, a confiança era tanta no Brasil que o jornal Gazeta
Esportiva trouxe a manchete "Venceremos o Uruguai". O prefeito
do Rio proclamou o Brasil campeão do mundo antes do pontapé inicial, e poucas
almas em uma torcida estimada em 174 mil espectadores — mas que pode muito bem
ter superado a marca dos 200 mil — imaginavam qualquer coisa diferente.
O Brasil
abriu o placar com tranquilidade em uma jogada armada por Zizinho e Ademir e
concluída por Friaça. Mas o Uruguai, comandado pelo capitão Obdulio Varela,
empatou aos 21 do segundo tempo depois de Gigghia passar por Bigode pela ponta
direita e cruzar para Schiaffino marcar. Então, faltando apenas 11 minutos,
veio o imponderável: Gigghia deixou Bigode mais uma vez para trás e chutou entre
Barbosa e o poste, levando a Celeste Olímpica ao paraíso — e o Brasil ao
desespero.

Nenhum comentário:
Postar um comentário