domingo, 6 de julho de 2014

Personalidade: Cornélio Pires

Os Feitos de Cornélio Pires

 
Não se pode jamais falar sobre música sertaneja raiz sem mencionar Cornélio Pires e o caminho por ele desbravado - e que por outros também foi trilhado -, pois foi graças a ele que chegaram aos discos as primeiras gravações dos genuínos caipiras, a partir de 1929.

Cornélio Pires nasceu no dia13 de julho de 1884 na chácara de seus tios no Bairro de Sapopemba em Tietê, Estado de São Paulo. Filho de Raimundo Pires e Anna Joaquina de Campos. Segundo confidenciou a amigos posteriormente, devia chamar-se Rogério, mas na hora o padre, velho e surdo, ouvindo muito mal entendeu Cornélio, e assim ficou. Morou também em Santos, Botucatu e Piracicaba, exercendo atividades de tipógrafo, repórter e professor de educação física. Em 1910 lança seu primeiro livro "Musa Caipira" com enorme sucesso. Produziu um total de 24 livros, nos quais se destacavam: "Quem Conta um Conto", "Cenas e Paisagens de Minha Terra", "Conversas ao Pé do Fogo", dentre outros.
Corria o ano de 1929. O Brasil enfrentava uma crise muito grande. Cornélio já firmava nome ao lado de Setúbal, Valdomiro Silveira e outros. Como abraçara o dialeto caipira desde 1910 com "MUSA CAIPIRA" botou a ideia na cabeça de que também devia colocar em discos as suas anedotas e a autêntica música caipira. Residindo em Piracicaba, sabia que lá existia autênticos cantadores e violeiros. Já fizera apresentações com Nitinho e Sorocabinha.  Então tentou gravar, mas as gravadoras não aceitavam o gênero caipira. Cornélio insistiu e bancou do próprio bolso uma gravação de seis discos, com cinco mil cópias cada um. Pagou adiantado, foi a Piracicaba e lá organizou a sua famosa "TURMA CAIPIRA CORNÉLIO PIRES", que na sua primeira fase era composta por Arlindo Santana e Sebastiãozinho (Sebastião Ortz de Camargo), Zico Dias e Ferrinho, Mariano da Silva e Caçula, Mandi e Sorocabinha (Olegário José de Godoy). Os discos saíram em maio de 1929 com nove números de humorismo interpretados pelo próprio Cornélio Pires e mais três danças paulistas, um samba paulista, um desafio, e intercalados uma cana verde e um cururu. No segundo suplemento de cinco discos, foi que a dupla Mariano e Caçula gravou e lançou em outubro de 1929 a primeira moda de viola gravada no Brasil, que se chamou Jorginho do Sertão. A segunda música gravada foi a Moda do Peão, ou Vida Minha e a terceira foi Bigode Raspado. Cornélio e sua turma caipira, viajaram por muitas cidades do interior de São Paulo, e fizeram apresentações na capital sempre com muito sucesso. O fracasso em que o diretor da gravadora Colúmbia apostou, não aconteceu. As pessoas faziam filas na gravadora tentando adquirir os discos. Saíram reedições dos discos. Foram gravadas  104 músicas em 52 discos de 78 rotações, de 1929 a 1930. Esses discos  traziam músicas de Raul Torres, com o pseudônimo de Bico Doce, de Paraguaçu, com o pseudônimo de Maracajá, e também de outros artistas que gravaram na Série Cornélio Pires,  discos de selo vermelho, que só Cornélio podia vender. Novas duplas surgiram, tais como Nhô Pai e Nhô Fio, Xerém e Tapuia, Palmeira e Piraci, Alvarenga e Ranchinho, dentre outros. Cornélio Pires saía com dois carros anunciando as apresentações e lançamento do disco. Um dos carros ia lotado de discos e livros.

Lançada a semente do sucesso, foi aparecendo mais gente e melhorando tudo, definitivamente. O grande público começou então, a ouvir a música dos caipiras. Nas décadas seguintes, apareceram grandes nomes e bons compositores, melhorando o linguajar falado e escrito. A música deixou de ser folclore para chamar-se "Música Sertaneja".  Cornélio Pires, que era Espiritualista ficou conhecido como o "Bandeirante do Folclore Paulista". Morreu na cidade de  São Paulo no 17 de fevereiro de 1958, com 74 anos de idade.

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