sexta-feira, 27 de abril de 2012

Artigo: Como o Capitalismo valoriza o Ser Humano - A/01157

Como o Capitalismo valoriza o Ser Humano


No mundo da economia de mercado, tanto aqui quanto na China, o indivíduo é muito valorizado. Por uma razão muito simples: cada pessoa, em maior ou menor grau, é um consumidor. Com a agravante de também ser um contribuinte compulsório de impostos, taxas, emolumentos e o diabo a quatro.

De repente, num desfile por um  shopping, pedi ao meu costumeiro anjo da guarda que me informasse sobre os pensamentos despertados, por  minha insignificante  passagem, aos comerciantes e   prestadores de serviços. Eis o diálogo com meu anjo-intérprete:

- Anjo, o que está pensando sobre mim aquele chefe de salão de cabeleireiro?

 - Ah, mesmo você sendo calvo, não deixa de ser uma boa sugestão para várias modalidades de negócios para ele: um aplique discreto de mechas, condizentes com seu perfil, preferentemente acaju, ou mais ou menos no tom do bigode usual do Sarney. Ou, em último caso, ainda que seja meio apelativo, uma peruca – um pouco mais em conta, claro – do que a usada pelo Silvio Santos – concluiu meu zeloso  guardador.

Logo à frente, uma loja de vestuário e acessórios, e um olhar cravado em meu perfil nada anônimo como consumidor. Em se tratando de comprador, o que vier é lucro para quem vende. Perguntei ao anjo no que minha presença sugeria ao vendedor estacado na porta de vidro.

- Ouça, esse pensa em lhe vender um chapéu. Talvez uma cartola, por sua idade. Pelo visto sua calvície enseja insights sugestivos. Este homem de vendas, agora, está despindo-o, para, se você parar por aqui, lhe sugerir a compra de cuecas, em meio a grande variedade. Você não escaparia mesmo que se desculpasse por usar somente o modelo samba-canção – disse em tom angelical num sacudir de asas. Já avaliou até o número que você veste. É “GG”.

- Isto é o cúmulo, companheiro alado! Isso é devassar a minha intimidade, como mero objeto de uma transação de compra e venda.

- Ele também pensa em lhe vender um sapato de Franca, uma cinta de Araraquara, uma bota de Ubirajara, uma camisa francesa, uma gravata italiana e tudo o que pode representar um lucro razoável. Por sua aparência, seu cartão de crédito deve ser de mil reais, mas uma vez que você goste dos produtos e do atendimento, se voltar mais vezes deixará mais dinheiro para o caixa da loja dele – sapecou o anjo entre sucessivas gargalhadas.

E assim fomos pelo shopping afora, e assim foi meu  guia invisível traduzindo-me, com suas galhofas e risadas,  qual mote de inspiração eu sugeria aos diferentes homens e mulheres de vendas.

Meu intérprete celeste deixou-me tão irritado que tomei-o por uma das asas e forcei-o a irmos para a rua tomar um táxi para sairmos dali o quanto antes. Eis que bem próximo, em letreiros sugestivos, uma viatura na cor cinza metálica uma  funerária está à procura da morte a domicílio 

com seu marketing discreto, mas não menos cabotino. A esta altura, nem o asudo achou graça. Até ele acabou por concordar que tudo aquilo era demais. E fiel à sua proposta de  médium dos vivos, assim advertiu-me, sacudindo a cabeça:


(Geraldo Generoso, de Ipaussu)

Sabe aquele motorista ali? Pois é. Ele sabe que você mede 1,69 m, tem 64 anos (o que significa estar praticamente “no ponto”), pesa 81,5 k, e não é tão chegado em flores, nem é dado a velas,  o que significa menos investimento em custo-benefício, indiretamente significando maiores lucros.





Em atenção ao um solícito taxista, entramos no veículo e fomos para a rodoviária pegar o ônibus para a roça. A viagem, do táxi e do ônibus foi tranquila e segura. À chegada, o meu companheiro invisível, além da costumeira proteção ainda me conscientizou de uma vantagem:



               - Pois é! No fim ainda saímos no lucro. Você pagou uma passagem só e viajamos nós dois...de táxi e de busão, e aqui estamos longe do assédio, visível e invisível, e menos invasivo do que o mercado puro sangue da metrópole.


Artigo: A Vaca e a Cenoura - A/01156

A VACA E A CENOURA

JAMES EPHRAIM LOVELOCKé um daqueles superdotados que nos põe a todos felizes por pertencermos à espécie humana e um tanto invejosos da sua sabedoria. Investigador em várias áreas, inventor e colecionador de doutoramentos – Física, Química, Medicina, Matemática –, a sua fama em todo o mundo derivou sobretudo das suas originais propostas, por vezes muito controversas, como ambientalista.

É o grande arauto da chamada Hipótese Gaia, que procura explicar o comportamento sistémico do nosso planeta, olhado como um superorganismo. Contra a corrente dominante entre os ambientalistas, é um defensor acérrimo do nuclear, que considera a única alternativa realista aos combustíveis fósseis para dar resposta às enormes necessidades energéticas da humanidade sem aumentar os gases com efeito de estufa.

Lembrei-me de o trazer aqui, não propriamente para desenvolver as questões atrás referidas, mas porque me lembrei duma sua frase bem-humorada. Perguntado por que se tornara vegetariano, respondeu: «É que, quando se lhe espeta uma faca, uma vaca grita mais do que uma cenoura».

Isto transporta-nos para uma dimensão ética da vida, mas também não é disto que quero falar. Competentes nesta área serão as pessoas ligadas ao PAN, o partido dos amigos dos animais. Eu prefiro falar para os pecadores, principalmente para aqueles que são capazes de tornar o mundo melhor sem deixarem de ser egoístas.

Longe de mim, creiam, querer converter os meus leitores às delícias da alface e da cenoura, mas já pensaram que as grandes manadas de gado bovino causam mais prejuízo ao buraco do ozono do que a circulação automóvel?

Meus amigos, é preciso ser egoísta, mas consequentemente.

Acham racional que, na alimentação dos animais que transformamos em alimento, se gastem quatro quilos de proteínas vegetais para obter apenas um quilo de proteína animal?

E sabem que mais? As próximas guerras de países vizinhos terão como motivo a disputa da água, que se está a transformar num bem demasiado escasso. Antigamente, no interior do país, era vulgar um vizinho matar à sacholada o outro que lhe desviava o rego de água das regas. É isto que se vai passar entre países vizinhos, se não arrepiarmos caminho.

A sachola ficou só para as batatas quando a água pareceu ficar abundante pelo recurso a represas, barragens e furos artesianos. Porém, quando se percebe que um dado campo suscetível de produzir 100 toneladas de batata, transformado em pasto não conseguirá sequer produzir uma tonelada de carne bovina, percebe-se também como somos irracionais na produção, principalmente se soubermos que um quilo dessa carne nos pode custar, no mínimo, 10 mil litros de água.

Devíamos levar o nosso egoísmo a sério. Já viram que, para produzir um quilo de arroz, precisamos de cerca de 2 mil litros de água, ao passo que um quilo de carne bovina nos exige cinco vezes mais?

Ser egoísta pode ser uma grande virtude.

(Abdul Cadre – Portugal)

Artigo: Relacionamentos Duradouros - A/01155

Relacionamentos duradouros


Em busca de relacionamentos mais duradouros e até permanentes, todos questionam as atitudes necessárias para que isso ocorra, como paciência, diálogo, compreensão e renúncia, mas na realidade não existe uma fórmula para a felicidade de um casal.
As paixões iniciais são passageiras e o que realmente perdurará, a amizade, a cumplicidade e o companheirismo, podem e devem ser criados com o tempo.
Em décadas passadas - e em determinadas culturas ainda agora -, os casamentos eram determinados pelos pais, com os noivos ainda crianças. A submissão feminina da época ou em países com essas culturas é que determinava a longevidade dos casamentos, independentemente se promovendo ou não a felicidade do casal.

Atualmente, na maioria dos países, as pessoas podem passear e caminhar de mãos dadas, assistir a filmes ou peças de teatro, ler livros, frequentar qualquer local ou ambiente e viajar juntas, sem a necessidade sequer de estarem namorando.

Essa convivência certamente poderá aprofundar sua amizade e criar afinidades que as aproximarão cada vez mais, abrindo a possibilidade para um relacionamento com bases muito mais sólidas do que aquele iniciado com uma simples paixão.

Só com a maturidade, quando já não se dá importância para aquelas paixões mais comuns na juventude, de origens físicas e pouco racionais, mas se busca alguém com valores éticos, morais, educação, cultura, interesses e objetivos comuns, se adquire esse entendimento.

Nessa fase, entendemos a importância não só de demonstrar, mas de falar sobre nossos sentimentos, de nos declarar, em particular ou publicamente para a pessoa amada, pouco nos importando o que dirão os que estão próximos.

Já entendemos a importância de interromper a leitura de um jornal para fazer uma declaração elogiando seu par que chega, valorizando sua roupa, sua beleza, o novo corte de cabelo que realçou sua jovialidade, mesmo quando isso não expressa uma realidade cronológica, e possuímos a delicadeza de, voltando do mercado, surpreendê-la por ter adquirido a fruta de sua preferência, ou trazendo-lhe uma flor quando menos espera.

Com atitudes e demonstrações de carinho, afeto, amizade e companheirismo, os laços vão se estreitando, de modo que cada um passe a sentir a ausência do outro e a necessidade de com ele dividir suas ideias, planos, sucessos, dificuldades e frustrações.

A participação de cada um nos mais variados temas da vida de seu par vai tornando o casal mais próximo, íntimo, participativo de detalhes muitas vezes estranhos à própria família do outro. Esse envolvimento cria situações de cumplicidade e amizade raras.

Construído diária e progressivamente sobre raízes sólidas, adubadas constantemente com atitudes pequenas, mas importantes, um relacionamento maduro aumenta à medida que os dois se conhecem, descobrem suas dificuldades, costumes, manias, qualidades e virtudes, surgindo daí o amor verdadeiro, real e duradouro.

Colocando na balança todos estes ingredientes, procurando o equilíbrio, os dois acabarão percebendo que no outro existem muitas qualidades e que o carinho e a cooperação superarão os poucos defeitos de cada um deles. 

O relacionamento duradouro é aquele onde existe o interesse mútuo em sua criação e manutenção, mesmo quando inicialmente os parceiros não se amam.

(João Bosco Leal -  www.joaoboscoleal.com.br)

Pensamento - VCDXXV - 5425

"São as pequenas coisas que podem ajudar
ou atrapalhar um processo." (Jairo de Lima Alves)

Pensamento - VCDXXIV - 5424

"A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios.
Escrever bem é escrever claro, não necessariamente
certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo
mas é claro, certo?" (Luis Fernando Veríssimo)

Sabedoria Popular

O homem é um universo dentro do universo.

Pensamento - VCDXXIII - 5423

"Poucas pessoas pensam, mas todas
querem decidir."  (Frederico II)