terça-feira, 7 de julho de 2009

Carta de Demissão - A/0405

Carta de Demissão
Venho, por meio desta, apresentar oficialmente meu
pedido de demissão da categoria dos adultos. Resolvi
que quero voltar a ter as responsabilidades e as idéias
de uma criança de oito anos, no máximo.
Quero acreditar que o mundo é justo, e que todas as
pessoas são honestas e boas.
Quero acreditar que tudo é possível.
Quero que as complexidades da vida passem
desapercebidas por mim, e quero ficar encantado com as
pequenas maravilhas deste mundo.
Quero de volta uma vida simples e sem complicações.
Estou cansado de dias cheios de computadores que
falham, montanhas de papelada, notícias deprimentes,
contas a pagar, fofocas, doenças, e necessidade de
atribuir um valor monetário a tudo o que existe.
Não quero mais ter que inventar jeitos para fazer o
dinheiro chegar até o dia do próximo pagamento.
Não quero mais ser obrigado a dizer adeus a pessoas
queridas, e, com elas, a uma parte da minha vida.
Quero ter certeza de que Deus está no céu, e de que,
por isso, tudo está direitinho neste mundo.
Quero ir ao McDonalds ou à pizzaria da esquina, e achar
que e melhor que um restaurante cinco estrelas.
Quero viajar ao redor do mundo no barquinho de papel
que vou navegar numa poça deixada pela chuva.
Quero jogar pedrinhas na água e ter tempo para olhar as
ondas que elas formam.
Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do
que as de verdade, porque podemos comê-las e ficar com
a cara toda lambuzada.
Quero ficar feliz quando amadurece o primeiro caju ou a
primeira manga, quando a jabuticabeira fica pretinha de
fruta.
Quero poder passar as tardes de verão à sombra de uma
árvore, construindo castelos no ar e dividindo-os com
meus amigos.
Quero voltar a achar que chicletes e picolés são as
melhores coisas da vida.
Quero que as maiores competições em que eu tenha de
entrar sejam um jogo de gude ou uma pelada...
Eu quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era
o nome as cores, a tabuada, as cantigas de roda,
a "Batatinha quando nasce", e a "Ave Maria", e isso não
me incomodava nadinha, porque eu não tinha a menor
idéia de quantas coisas eu ainda não sabia...
Voltar ao tempo em que se é feliz, simplesmente porque
se vive na bendita ignorância da existência de coisas
que podem nos preocupar e aborrecer.
Eu quero acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços,
dos agrados, das palavras gentis, da verdade, da
justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos
castelos no ar e na areia.
E o que é mais: quero estar convencido de que tudo isso
vale muito mais do que o dinheiro!
Por isso, tomem aqui as chaves do carro, a lista do
supermercado, as receitas do médico, o talão de
cheques, os cartões de crédito, o
contra-cheque, os crachás de identificação, o pacotão
de contas a pagar, a declaração de renda, a declaração
de bens, as senhas do meu computador e das contas no
banco, e resolvam as coisas do jeito que quiserem.
A partir de hoje, isso é com vocês, porque eu estou me
demitindo da vida de adulto.
Agora, se você quiser discutir a questão, vai ter de me
pegar, porque...


PIQUES! AGORA O PEGADOR É VOCÊ! e, para sair do
pegador, só tem um jeito:
Demita-se você também dessa sua vida chata de adulto!!

NÃO TENHA MEDO DE SER FELIZ!
Aqui estão alguns dos nossos mais profundos, sinceros e
ocultos desejos.
A simplicidade do universo de uma criança faz muita
falta em nossos dias, em nossos corações.
A ambição e o egoísmo acabam sempre se tornando maiores.
Por isso, de vez em quando demita-se!
Afaste-se dos sentimentos mesquinhos e pequenos do
mundo dos adultos.
E fique mais próximo do único sentimento que realmente
vale a pena - o AMOR
.

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