quinta-feira, 9 de julho de 2009

Cinzas se transformam em diamante


Um diamante é para sempre. A dona-de-casa curitibana Leroy da Silva, de 73 anos, levou a sério essa máxima. Ela resolveu transformar as cinzas de seu marido, o militar Jorge Gaspar da Silva, morto em 1994, em um diamante. A joia acaba de chegar da Suíça e será entregue à Dona Leroy em uma cerimônia que aconteceu no dia 9 de julho, em Curitiba. A empresa que a fabricou, Algordanza, garante que é o primeiro diamante de cinzas humanas no Brasil. A pedra é de 0,25 quilates e ficará com a filha de Dona Leroy, Lygia, de 51 anos. Dona Lery disse à Mulher 7 por 7 que a pedra será colocada em um pinginte. “É uma parte dele que estará com a família”, afirmou ela. Depois, o pequeno diamante será passado para o neto, filho de Lygia, Leandro Henrique, de 23 anos. “Os dois eram muito apegados”, conta ela.
A ideia de transformar as cinzas do militar em diamante surgiu em dezembro do ano passado, quando Dona Leroy decidiu cremar o marido. Ao contatar a funerária Vaticano, a empresa representante da companhia suíça na América Latina, foi lhe oferecido o serviço e ela aceitou. “Eu nunca tinha ouvido falar nisso. Achei que poderia ser uma recordação bonita. No começo, quando o corpo é enterrado, todos visitam. Depois o lugar vai ficando abandonado. Queria fazer algo para que o Velho ficasse perto da gente”, disse.
Velho é o nome carinhoso com que todos chamavam Seu Jorge na família. Dona Leroy foi casada com ele durante 36 anos. Contou que amargou um luto de dois anos e durante esse período nem com os amigos queria falar. Aos poucos foi se ascostumando com a partida do Velho e hoje diz que sempre ”conversa com a foto dele que fica em seu quarto”. “Quando eu saio, digo assim para ele: cuida da casa Velho. Ou quando estou cozinhando, falo para mim mesma: desse prato ele iria gostar”.
Dona Leroy, Seu Jorge e os filhos Lygia (no colo) e Jorge
O processo de fabricação do diamante é tão curioso como seu uso. Dos dois quilogramas de cinzas retirados dos ossos de Seu Jorge, meio quilograma foi enviado ao laboratório suíço para produzir o diamante sintético. As cinzas foram submetidas a sessões de alta pressão e de temperaturas até 1.500 o.C durante quase três meses. Para obter a pedra, o carbono -elemento usado para a fabricação do diamante-foi separado de outras substâncias. A empresa diz que acompanhou todo o processo de transformação dos restos mortais do Velho em joia. O preço das pedras variam de R$ 12.677 (0,25 quilates) a R$ 52.330 (um quilate).
O que fazer com o corpo de um ente querido é sempre uma discussão. E você, o que faria para ter por perto alguém que já se foi?

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