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Um diamante é para sempre. A dona-de-casa curitibana Leroy da Silva, de 73 anos, levou a sério essa máxima. Ela resolveu transformar as cinzas de seu marido, o militar Jorge Gaspar da Silva, morto em 1994, em um diamante. A joia acaba de chegar da Suíça e será entregue à Dona Leroy em uma cerimônia que aconteceu no dia 9 de julho, em Curitiba. A empresa que a fabricou, Algordanza, garante que é o primeiro diamante de cinzas humanas no Brasil. A pedra é de 0,25 quilates e ficará com a filha de Dona Leroy, Lygia, de 51 anos. Dona Lery disse à Mulher 7 por 7 que a pedra será colocada em um pinginte. “É uma parte dele que estará com a família”, afirmou ela. Depois, o pequeno diamante será passado para o neto, filho de Lygia, Leandro Henrique, de 23 anos. “Os dois eram muito apegados”, conta ela.A ideia de transformar as cinzas do militar em diamante surgiu em dezembro do ano passado, quando Dona Leroy decidiu cremar o marido. Ao contatar a funerária Vaticano, a empresa representante da companhia suíça na América Latina, foi lhe oferecido o serviço e ela aceitou. “Eu nunca tinha ouvido falar nisso. Achei que poderia ser uma recordação bonita. No começo, quando o corpo é enterrado, todos visitam. Depois o lugar vai ficando abandonado. Queria fazer algo para que o Velho ficasse perto da gente”, disse.
Velho é o nome carinhoso com que todos chamavam Seu Jorge na família. Dona Leroy foi casada com ele durante 36 anos. Contou que amargou um luto de dois anos e durante esse período nem com os amigos queria falar. Aos poucos foi se ascostumando com a partida do Velho e hoje diz que sempre ”conversa com a foto dele que fica em seu quarto”. “Quando eu saio, digo assim para ele: cuida da casa Velho. Ou quando estou cozinhando, falo para mim mesma: desse prato ele iria gostar”.
Dona Leroy, Seu Jorge e os filhos Lygia (no colo) e Jorge
O processo de fabricação do diamante é tão curioso como seu uso. Dos dois quilogramas de cinzas retirados dos ossos de Seu Jorge, meio quilograma foi enviado ao laboratório suíço para produzir o diamante sintético. As cinzas foram submetidas a sessões de alta pressão e de temperaturas até 1.500 o.C durante quase três meses. Para obter a pedra, o carbono -elemento usado para a fabricação do diamante-foi separado de outras substâncias. A empresa diz que acompanhou todo o processo de transformação dos restos mortais do Velho em joia. O preço das pedras variam de R$ 12.677 (0,25 quilates) a R$ 52.330 (um quilate).
O que fazer com o corpo de um ente querido é sempre uma discussão. E você, o que faria para ter por perto alguém que já se foi?
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