Ambiente?! Desenvolvimento?!
Pensando bem... SUSTENTABILIDADE!
Por Danilo Fornazari – Administrador de Empresas
Nesses últimos dias temos visto a tônica da discussão sobre a APA (Área de Proteção Ambiental) do Rio Iguatemi cujo plano de manejo foi recentemente apresentado pelo CIABRI - Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Integrado da Área de Proteção Ambiental e da Bacia Hidrográfica do Rio Iguatemi onde estão comprometidos os municípios de Amambai, Coronel Sapucaia, Paranhos, Tacuru, Sete Quedas, Iguatemi, Eldorado, Mundo Novo e Japorã. Este comprometimento se deve ao fato de que do total de 1.401.204 ha desses municípios, 829.483,48 ha (isso representa mais de 59% de toda área) estarão “sob a proteção” da legislação ambiental, que, com todo destaque possível pessoal meu, “não proíbe” a exploração mas admite-se a ocupação do território sob condições adequadas de manejo e de utilização sustentada dos recursos naturais. Isso quer dizer que não se poderá fazer tudo que se quer mas ainda será possível desenvolver. Dessa área de proteção, 727.858 ha estão em Área de Uso Sustentável dos Recursos Naturais, ou seja, 87,7% da APA ainda poderá ser explorada, desde que de forma sustentável. Dentro dessa área explorável 689.259 ha são de áreas agrosilvopastoril, ou seja, 94,7% da área de uso sustentável. Eu, chamo isso de uso racional do solo ou seja, não é aceitável que nós, seres humanos inteligentes, racionais e dominantes neste planeta, simplesmente façamos o que quisermos, onde quisermos e quando quisermos, é preciso fazer uso dessa inteligência para construir hoje o amanhã que queremos. É esse o tempo que temos para construir o futuro. Einstein já disse que “viajar no tempo é impossível, tanto que até hoje não fomos visitados por ninguém do futuro”, ou seja, se no futuro descobrissem uma forma de voltar no tempo eles já teriam feito essa viagem e nós saberíamos hoje. Como não podemos desfazer erros do passado é preciso fazer do Hoje, no Futuro, um passado que não precise ser corrigido. Raciocínio bem simples que é como tudo tem que ser nessa vida, para que sejamos felizes e não entremos em conflito em qualquer situação. Mas enfim, simplificando: esse “plano de Manejo” que carece de aprovação e portanto é ainda passível de alterações traz uma proposta inicial, de 518 páginas, baseada numa análise especializada sobre a situação em que se encontram as áreas ao redor da Bacia do Rio Iguatemi, cercada de propriedades privadas e públicas. Vale destacar que o Poder Público poderia ter adotado uma forma mais rígida de Unidade de Conservação, pois a categoria de UC selecionada, APA, teve como justificativa ser, de uso sustentável, apresentando características físicas compatíveis, tais como grande extensão territorial, composta de terras públicas e privadas, com certo grau de ocupação humana, além de apresentar atributos abióticos, biológicos, estéticos e culturais especialmente importantes. Então, também é preciso ter essa visão de que o Poder Público não é um inimigo do desenvolvimento, mas um parceiro que precisa definir situações que venham a atender as necessidades não de grupos específicos mas de uma sociedade como um todo e ai é preciso pensar em arrecadação para atender as necessidades dos que não têm condições dignas de vida e em promover condições para o crescimento de todo meio produtivo.
Do estudo fica claro que alguma atitude deve ser tomada antes que este ambiente se esgote e não tenha mais condições de se recompor e ao meu ver, de uma forma bem simples, se continuar assim todos saem perdendo. De um lado as Prefeituras, defendendo a legislação e o ambiente (recentemente esta se falando no meio acadêmico biológico que meio ambiente não é uma forma de expressão muito correta) e do outro os produtores rurais representados pelos seus sindicatos. Cada qual defendendo aquilo que lhe é peculiar e importante e com a certeza de que estão certos e na realidade todos estão, mas esse posicionamento não vai ajudar nenhum dos lados, pois ao mesmo tempo esqueceram que os conceitos que defendem como o ambiente (através da legislação) e o desenvolvimento (através da produção agrícola e pecuária) já estão ultrapassados e sem razão de ser. Hoje, como Homo Sapies que somos temos que juntos pensar, e muito mais, agir com SUSTENTABILIDADE, e não estou falando de recursos para sustentar alguma coisa, mas de encontrar meios de atender às nossas necessidades no presente, sem comprometer a natureza e a qualidade de vida (volto a insistir, vida inteligente) das futuras gerações, ou seja, crescer sem esgotar os recursos naturais que levam anos e anos para serem naturalmente recuperados. Esse, ao meu ver, de uma forma bem simples, é o foco que se deve dar a este assunto: crescimento com preservação da natureza para os nossos filhos, netos e mais além... Estamos precisando pensar em uso adequado da água, tal qual um bem muito precioso; em economia de energia; incentivo ao emprego de fontes renováveis de energia; em reciclagem de lixo; reflorestamento e tudo isso com qualidade de vida, mas vida inteligente, não meramente extrativista e explorativa, mas consciente da fragilidade da natureza e de nossa própria existência. Logicamente, que pensar e principalmente, agir assim, vai de encontro (ir de encontro quer dizer chocar-se, opor-se, bater de frente) a praticas produtivas e muitas vezes explorativas já vigentes e enraizadas de se ganhar dinheiro, razão pela qual o bem maior de uma coletividade tende a ficar sempre em segundo plano. Havemos de superar essa ganância imediatista de um capitalismo que não constrói mas sim destrói o futuro que precisamos e que podemos deixar para nossa própria geração futura. Temos esse poder em nossas mãos: começar a construir HOJE um futuro melhor! Agir sustentavelmente, desde já, é garantir a sobrevivência da espécie mais importante desse planeta: Nós mesmos!
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