domingo, 12 de julho de 2015

Artigo: Liberdade de Opinião - A/01686

Liberdade de Opinião

Para que serve a liberdade de expressão, se vivemos numa sociedade em que a maioria apenas repete – sem pensar, – o que escuta e vê? Imitam o que se usa, o que está na moda. Repetem a opinião dominante. Compram o que a publicidade sugere. Viajam para os mesmos destinos e frequentam os mesmos lugares.

Poucos são capazes de raciocinar. De terem pareceres próprios, baseados na observação cuidadosa de fatos e comportamentos. Pretendem ser politicamente corretos, para não parecerem retrógrados ou ignorantes. Seguem o que o líder do partido ou presidente do clube, recomenda. Leem os livros que lhe dizem ser bons ou que todos compram. Veem os filmes que a crítica ou amigos recomendam. São comandados pela pequena elite pensante. Elite que controla a massa-média e impõe suas ideias.

A Internet, com blogues, sites, redes sociais, onde se publica o que se quer, é boa tribuna para expor ideias, – ainda que, na maioria das vezes, sejam lidos apenas por amigos e conhecidos; por vezes nem isso. Em regra – infelizmente, – o que se encontra em sites e blogues, são assuntos pessoais ou ecos surdos do que se diz. A maioria é massa amorfa. Rebanho, manada, que não se dá ao trabalho de pensar; muito menos refletir. Escreveu Fulton Sheen: “Quando se encontra homem de cabeça entre mãos, a meditar, perguntam-lhe se está com dores de cabeça.”

Para que serve a liberdade, se apenas se repete, como papagaio palrador, o que se usa e o que está na moda. Amigo brasileiro, após haver lido e pesquisado episódios da história de seu país, desiludido: “ Como andava enganado com as coisas que me ensinaram na escola! …” E como lhe dissesse que o mesmo acontecia em Portugal, acrescentou: “ E eu que afirmava, a pés juntos, que os portugueses eram analfabetos, assim e assado; e afinal nem tudo era como nos contaram. Andávamos enganado!”

Os noticiários são ou podem ser manipulados: pelo governo, pelo capital, pelos partidos políticos, associações secretas, e até pelos publicitários. Certa vez “ La Croix” recomendou que as crianças, que iam fazer a comunhão solene, não deviam ir vestidas como se fossem para desfile de moda. Foi o bastante para costureiros parisienses, retirarem a habitual publicidade, como represália. O jornal teve enorme prejuízo, por ter dado o conselho.

Que o digam responsáveis por jornais locais o que lhes custa publicar certas notícias e opiniões. Perdem, quantas vezes, subsídios, anunciantes, e até assinantes. Raras vezes lucram em serem independentes e verticais.


 (Humberto Pinho da Silva)

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