Ser
médico era das profissões de maior prestígio. O médico não dispunha ainda dos
meios auxiliares de diagnóstico de agora. Tinha de descobrir por auscultação,
por apalpação, por intuição ou mesmo adivinhação, a doença que o seu paciente
tinha e, sem as especialidades farmacêuticas, que agora superabundam no
mercado, era ele que estabelecia o receituário para o farmacêutico aviar. Para
se ser bom médico, era preciso que tivesse uma espécie de sexto sentido, a que
é costume chamar “olho clínico”. Hoje tudo está mudado, o que muito contribui
para a banalização dos valores. O “olho clínico” raras vezes se torna
necessário, já não é preciso ir de madrugada ao leito dos doentes confortá-los
e curá-los - pelo contrário, o médico de agora, regra geral, não deixa que lhe
retirem direitos e defende-os tenazmente, nem que seja recorrendo a greves,
como os outros.
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