O Cisma Católico do Ocidente (1378 – 1417)
Contra Urbano VI, papa legítimo, é eleito Clemente VII como antipapa residente em Avignon. Papas e antipapas se sucediam e se excomungavam, a ponto de se ter a impressão de que toda a cristandade estivesse excluída da Igreja. Foi o Grande Cisma, que fez a Igreja num certo período ter três papas! Os cristãos, e mesmo os sábios e santos, não tinham mais muita clareza sobre quem era o papa verdadeiro.
França, Espanha e Escócia reconheciam Clemente VII como papa legítimo; Itália, Inglaterra, Irlanda, Boêmia, Polônia, Hungria e Alemanha reconheciam Urbano VI. E os santos? Santa Catarina de Sena apoiava Urbano VI e chamava de demônios encarnados os eleitores de Clemente VII; já São Vicente Ferrer reconhecia como verdadeiro papa a Clemente VII. Certamente, para o povo, era mais difícil ter alguma certeza.
Para salvar a unidade da Igreja, alguns teólogos passaram a defender a Teoria Conciliar: os bispos reunidos em Concílio detêm o poder da Igreja, acima do Papa. No fundo, o que se queria era garantir a eleição de um único e legítimo papa e recuperar a unidade eclesial.
Somente o Concílio de Constança (1414-1418) conseguiu acabar com o Cisma, com a eleição unânime de Martinho V (1417-1431) após a renúncia do papa legítimo Gregório XII.
As Conseqüências. Após tantos conflitos, divisões, papas sem visão pastoral e universal, não é de se estranhar que, aos olhos do povo cristão, uma Igreja nacional, controlada pelo poder do Estado, fosse a melhor solução. Isso aconteceu e foi uma das causas que explicou o sucesso da Reforma Protestante na Europa.
Na França, em 1438 se ratificou como lei estatal a Teoria Conciliar, a proibição de apelar para Roma como última instância, limitações dos direitos da Santa Sé nas nomeações para ofícios e benefícios na França. Somente em 1905, o Papa voltou a nomear os bispos franceses.
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