domingo, 18 de janeiro de 2015

Artigo: Carma Coletivo - A/01636

Carma Coletivo: como podemos nos livrar dele?

O Carma Coletivo existe, ou é simplesmente uma falácia? 
Pode uma Comunidade toda ser responsável por atos isolados 
de pessoas ou de grupos ligados a ela?

Para compreender a lei do equilíbrio e da justiça, é preciso perceber de que modo ela funciona.  Ela  se desdobra através de uma onda dinâmica e complexa de acontecimentos e inter-relações, no contexto amplo da vida. O carma não é, pois,  uma linha puramente individual de ações e reações. É verdade que há uma linha individual de plantios e colheitas. Esta linha cármica apresenta ações e reações reguladas pela lei da justiça e do equilíbrio.  Porém, visto em profundidade, o carma é fundamentalmente coletivo, embora tenha uma forte componente individual.
Tudo se comunica, no planeta e no universo, e todos os seres vivem em unidade. Esta unidade comum implica uma troca e uma interação constante entre todos os seres, regulada pela lei da reciprocidade. A palavra “punição”, aplicada ao carma desagradável ou doloroso de alguém, é uma expressão  infeliz e ineficaz  porque  sugere que as dificuldades da vida sejam “castigos”. A verdade é outra. Não existe qualquer Deus pessoal e monoteísta, cuja ocupação predileta seja “punir” ou vingar-se das pessoas que o desagradam. Não há punição. Há lições.  A vida não é um sistema penitenciário. A vida é uma Escola de Almas.  

O nosso planeta é uma grande escola de almas. Nele, há lições lentas para os alunos mais “difíceis”, e há lições mais rápidas para os alunos que aprendem por mérito próprio e através de um esforço consciente.  Alguns eventos são agradáveis, outros desagradáveis, mas todos trazem lições, e qualquer experiência humana em que não houvesse alguma dimensão de ensino e de aprendizagem seria uma experiência inútil.

Nem tudo é colheita, no carma. Longe disso. Há inúmeros erros novos sendo plantados o tempo todo. Há centenas de milhares de novas injustiças sendo cometidas pela primeira vez. Todos estes desequilíbrios terão que ser reparados e compensados a seu devido tempo. A função de quem busca a sabedoria é colaborar com o equilíbrio e a justiça. Não é justificar o sofrimento que pode ser evitado, adotando uma postura destituída de solidariedade.  No plano individual, os seres humanos colhem, em geral, algo compatível com o que plantaram.

Mas o processo está interligado a muitos tipos diferentes de carma coletivo, e não há uma correspondência imediata, direta ou mecânica entre o plantio e a colheita de um indivíduo.  Os seres também colhem o que não plantaram, o que será compensado mais adiante, tanto no caso da colheita imerecidamente dura, como no caso da colheita  imerecidamente agradável. Assim, quando alguém deseja que lhe ocorram coisas agradáveis antes de examinar se as merece, está apenas desejando gastar antecipadamente o seu carma positivo.

Buscar a sabedoria é obter o equilíbrio na roda da vida, e aprender a corrigir as imperfeições. Há erros o tempo todo. Pessoas sofrem injustiças. Populações inteiras são roubadas por governantes criminosos. Os exemplos são fáceis de identificar.  Seria equivocado dizer que cada sofrimento que ocorre é justo ou necessário. Todo carma é bom,  no sentido de que todo carma traz lições a quem tem olhos para ver.  O que existe, isso sim, é carma agradável e carma desagradável. E nem sempre o que é agradável é bom.  Inúmeras vezes o carma desagradável faz alguém despertar, enquanto o carma agradável adormece e entorpece o indivíduo.    

Então, a Lei do Carma é justa e não punitiva. Parte da premissa do amor e da compaixão, amenizando o sofrimento e fortalecendo a esperança dos Buscadores. Podemos, assim, afirmar que o carma coletivo é tão real como o carma individual, tendo isso a ver com as causas e efeitos, dos atos praticados na Comunidade. Sim, ainda é bom lembrar que no carma coletivo, existem os responsáveis e corresponsáveis pelos atos, como está registrado na literatura mística e no Pentateuco de Moisés, notadamente no Livro de Êxodo, que trata do assunto com muita clareza, quando o carma coletivo pode ocorrer até à quarta geração, uma prova inequívoca do domínio do Criador sobre a Humanidade.



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