Vivemos num tempo parado, um
tempo de espera. Nos privamos do hoje esperando o amanhã, com um pé cravado no
passado, nos torturamos perdendo o tempo do agora. Desfolhamos calendários a
esmo, como se quantidade de tempo fosse mais importante que qualidade. Desprezamos
o hoje com a mesma gula furiosa e incontida com que esperamos o amanhã.
Aguardamos o breve, o tão logo, o que virá e desperdiçamos o contemporâneo como
se não nos pertencesse. Assim a vida vai correndo, se esvaindo de nossas
entranhas, vazando pelo ralo sem que nos demos conta. Contamos primaveras
esquecidos no inverno que aprisionamos por dentro, que não lembramos se já foi
outono, que não deixamos ser verão. Ao tempo damos apenas nossa indiferença,
para mais tarde nos arrependermos dos minutos perdidos, horas jogadas fora,
páginas que a vida virou e nem nos demos conta porque esperamos demais. A vida
não tem replay, não reprisa cenas. Só temos uma chance para dar certo, um
único hoje, que pela dádiva contida é chamado de presente. Será que ainda sabendo disso, vale a pena esperar tanto? “Conheço as suas obras e os seus
pensamentos. Vem o dia em que ajuntarei todas as nações e línguas; e virão e
verão a minha glória.” (Isaías
66:18)
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