terça-feira, 16 de junho de 2015

Artigo: Doutrina da Reencarnação - A/01668

Algumas fontes históricas sobre 
a Doutrina da Reencarnação

A crença na Reencarnação faz parte das principais religiões orientais há milhares de anos, e também de organizações místico-filosóficas do Oriente e do Ocidente. A ideia de reencarnação pode também ser encontrada na Bíblia Cristã, por vezes omitida por renomados pregadores. Nunca se pode confundir reencarnação com ressurreição e nem com metempsicose. Cada doutrina tem o seu lugar, com a interpretação a cargo dos grupos espiritualistas em todo o mundo. A reencarnação, propriamente dita, é a volta da alma ao plano físico, em um novo corpo material. É o renascimento.

A metempsicose é uma palavra de origem grega “metempsycosis”, que significa a transmigração do espírito de um corpo para outro. Na índia, até  nossos dias, admite-se a reencarnação da alma em corpos humanos, podendo a mesma retroagir e reencarnar em corpos de animais.

     Perante o espiritismo, e ainda para alguns grupos que aceitam a reencarnação, a alma não pode regredir. Pode estacionar, mas a evolução do espírito não admite retrocesso. Assim sendo, a reencarnação como processo retoma o espírito o vaso físico, mas do mesmo ponto evolutivo em que se encontra para um novo aprendizado ou para restabelecer o equilíbrio perdido em fases pretéritas.

Historicamente, a Doutrina da Reencarnação é tão antiga como a própria história do homem. Os povos orientais sempre se mostraram sensíveis à crença na reencarnação, um dos pontos básicos de suas crenças. No Tibete, o Dalai Lama é considerado a reencarnação do seu antecessor. Pitágoras afirmava ter sido Euforbos, filho de Pantos em encarnações passadas. Os filósofos Sócrates e Platão eram adeptos dos princípios espiritualistas e admitiam plenamente a reencarnação. Os judeus também eram reencarnacionistas, assim como outros povos do mundo antigo.

A Reencarnação na Bíblia

No evangelho de Mateus, há referência expressa sobre a reencarnação. Quando Jesus Chegou às portas da Cesarea Philippi, perguntou aos seus discípulos: “Quem os homens dizem que Eu Sou?" Eles responderam: "uns dizem que tu és João Batista; outros,  Elias, e outros, Jeremias ou um dos profetas." Essa resposta indica que os judeus acreditavam na imortalidade da alma e na sua reencarnação. O que dizer sobre o Monte da Transfiguração, onde se apresentaram Moisés e Elias?

Célebres figuras da Roma antiga eram adeptos da reencarnação. Cícero, Virgílio, Ovídio e o próprio Júlio Cesar defendiam os princípios da imortalidade da alma e do seu regresso à matéria. Os Celtas, que habitavam um território que se entendia do País de Gales à França, incorporam reencarnação à sua cultura. O próprio Kardec reconhecia ter sido em uma  de suas reencarnações um Sacerdote Druida, motivo que fez com que adotasse o pseudônimo Allan Kardec.

A Reencarnação e a Igreja Cristã

Orígenes, mestre da Igreja, ensinava que "todas as almas chegaram a este mundo fortalecidas pelas vitórias ou debilitadas pelas derrotas de uma vida pregressa. O seu lugar neste planeta é determinado por seus méritos ou deméritos do passado". Essa assertiva do sábio Orígenes traduz sua ampla confissão de sua crença na reencarnação da alma. Clemente de Alexandria era adepto doutrina da reencarnação e isso pode ser facilmente encontrado em muitos de seus escritos. Em favor da reencarnação,Gregório “bispo de Nissa” afirmou que "a alma precisa purificar-se e isso não acontecendo durante a vida na Terra, deve ser realizado em  outras vidas futuras." Santo Agostinho, no seu livro “Confissões”, chegou a interpelar a si mesmo: "não vivi em outro corpo antes de entrar no ventre de minha mãe?"

Foi no ano 533, durante o Concílio de Constantinopla, graças às artimanhas da imperatriz Theodora, que exerceu forte influência em seu esposo, o Imperador Justiniano, declarando herética a doutrina da reencarnação e veio com isso a perseguição a seus adeptos. Apesar das perseguições que se seguiram, muitos doutores da Igreja dominante continuaram acreditando nos princípios da reencarnação. Na atualidade, no seio da Igreja contemporânea, em caráter sigiloso, existem sacerdotes e outros religiosos que aceitam a tese reencarnacionista. Na Alemanha e noutros países da Europa já existem igrejas protestantes aplicando a Doutrina da Reencarnação em seus cultos.


(Texto adaptado do artigo “A Reencarnação e suas Fontes Históricas", 
publicado na edição 8 - Revista Cristã de Espiritismo)

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