O Que é uma Sessão Ordinária na
Câmara Legislativa de Mundo Novo
Para entender o que se passa numa Sessão Legislativa em cidades do interior, é necessário que o cidadão arrume um tempo e se dirija até lá. É uma reunião que normalmente dura umas duas horas, com pouca frequência de público. A democracia é pouco exercida e o que mais se ouve são elogios ao Executivo Municipal, ou discussões sem muito proveito. É uma das reuniões mais caras que se conhece, podendo custar entre 15 mil a 25 mil reais, com pagamento de vereadores e outras despesas agregadas. Seria ótimo se o povo pudesse acompanhar as sessões para poder avaliar o trabalho de cada vereador.
Pode haver bons debates, mas em geral os assuntos tratados não contemplam as necessidades prementes da comunidade, faltando objetividade nos oradores. São frequentes as discussões frívolas que nada constróem e que servem apenas para justificar a presença do representante popular na Sessão. Existe sessão legislativa realmente ordinária, pelo baixo nível que ela apresenta. Uma reunião inócua nada pode construir, a não ser os benefícios que possa trazer aos seus participantes. Alguns vereadores são mais coerentes, adotando uma postura condizente com o cargo que o povo lhe outorgou pelas urnas. Outros, no entanto, sem as mínimas condições de representatividade, consomem o tempo precioso, e caro, provando com os seus atos, o que realmente é ser medíocre.
No caso específico de Mundo Novo, é raro acontecer uma sessão de um nível aceitável, embora seja o Legislativo composto por vereadores experientes. Prevalece no momento da discussão as desavenças, que tomam o lugar de debates sadios, o que todo cidadão de bem gostaria que acontecesse. Numa das recentes sessões ditas ordinárias, importantes assuntos vieram à tona, mas deturpados ao final, pela frivolidade de partes antagônicas. O vereador-presidente Sebastião Reis de Oliveira, político habilidoso, dirige a Sessão. Há momentos em que no exercício da presidência, atropela a democracia, não permitindo a questão de ordem aos colegas que integram a bancada da oposição. O vereador-médico Wagner Ribeiro de Lima, de voz mansa, faz ligeiros comentários, geralmente sobre a saúde, e tecendo elogios a pessoas presentes e fala de reminiscências. O vereador-policial Gildo do Amaral, sai em defesa da segurança pública e repudia os atos de larápios que incomodam os moradores mundonovenses, sem a colaboração dos homens da justiça para mantê-los presos. Questiona ainda a questão do plantão médico, sugerindo uma reunião urgente da base aliada com o prefeito, para acertar arestas. O vereador-advogado Marcelo Ally queixa-se da falta de ordem na secretaria de obras, e convoca os colegas a fazerem uma visita "in-loco" numa segunda-feira de manhã, para sentirem a dura realidade do setor, que ele chama de "terrível". Queixada faz comentários sobre levantamento nas empresas, relativamente ao número de funcionários e ainda sobre o meio ambiente. O vereador João Ravazine, de forma moderada, fez alguns questionamentos sobre a Administração Municipal, falando de inversão de prioridades e os custos elevados nos eventos da cidade. O vereador Orandir não usou a Tribuna, preferindo fazer alguns apartes com sugestões. O vereador Richardson Prates, com equilíbrio, fez um relatório sobre os eventos, questionando os custos, ao falar de sua experiência no Departamento de Cultura. O presidente "Tião Barbudo" nega questão de ordem aos vereadores petistas e interrompe a Sessão. O vereador-Servidor público Roque Joaquim Paes reclama e a Sessão é reaberta, para ouvi-lo. Na oportunidade, o vereador fala do tema da Campanha da Fraternidade para 2010, além de reclamar a omissão da prefeitura sobre a sua indicação de uma Corregedoria Municipal, onde possa coibir abusos de servidores públicos municipais diante de suas obrigações para com o munícipe que paga impostos. Ao final, o presidente fez alguns esclarecimentos adicionais, inclusive oferecendo uma denúncia, até certo ponto grave: a liberação de 600 mil reais pela Prefeitura ao Posto Maringá, no fim da gestão petista, e que, para o presidente Sebastião Reis de Oliveira, esse valor foi para cobrir despesas de campnha. Também desafiou o colega Richardson, informando que tem em mãos todas as notas com as despesas que ele realizou com a decoração de natal e outros eventos na Cultura. E termina a Sessão.
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