Paulo, um dos maiores apóstolos da
Igreja, nasceu em Tarso por volta do ano 8 e faleceu decapitado pelo imperador
Nero no ano 67. Convertido após o encontro com o Mestre Jesus no caminho de
Damasco, no ano 39 São Paulo se encontrou com Pedro e Tiago em Jerusalém e
depois voltou para Tarso, um tanto decepcionado com o fracasso do seu trabalho.
Certamente ali, Paulo repensou toda a sua vida e
ouviu a voz do Senhor com mais clareza. Depois de 5 anos, seu primo Barnabé,
que era discípulo de São Pedro em Antioquia, o levou para lá. Então, em 44,
Paulo e Barnabé foram encarregados pela comunidade para levar ajuda financeira
aos irmãos pobres de Jerusalém. E uma nova missão teve início.
Há hoje uma certa frieza no zelo apostólico e,
mesmo dentro da Igreja, há um pouco de acomodamento no sentido de não levar o
Evangelho a todos os povos da Terra, deixando que os mesmos se salvem em suas
próprias crenças, dentro de uma mentalidade perigosa de que a salvação está em
todas as religiões. É o relativismo religioso que condenamos insistentemente.
Nada mais oposto ao Evangelho, aceitar isso seria
trair radicalmente Jesus Cristo, que instituiu a Igreja para levar a única
salvação a todos os povos – “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o
Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não
crer será condenado” (At 16, 15-16).
O rigor paterno e a ternura materna têm obrigação
de mostrar às suas descendências o amor da Virgem Maria e a misericórdia do
Coração de Jesus. Assim começa a igreja doméstica, que produz frutos
maravilhosos em todo o mundo, como nesta história contada por quem a viveu:
Lá estava eu com minha família em férias, num
acampamento isolado e com o carro enguiçado. Tentava dar a partida no veículo,
e nada! Caminhei para fora do acampamento e, felizmente, meus palavrões foram
abafados pelo barulho do riacho. Minha mulher concluiu que éramos vítimas de
uma bateria arriada.
Sem alternativa, decidi voltar a pé até a vila mais
próxima e procurar ajuda. Depois de uma hora e um tornozelo torcido, cheguei a
um posto de gasolina. Ao me aproximar, lembrei que era domingo e, é claro, o
lugar estava fechado. Por sorte, havia um telefone público e uma lista
telefônica com as folhas em frangalhos.
Consegui ligar para a única companhia de auto
socorro que encontrei na lista, localizada a cerca de 30 km dali.
– Não tem problema – disse a pessoa do outro lado
da linha. – Normalmente estou fechado aos domingos, mas posso chegar aí em mais
ou menos meia hora.
Fiquei aliviado e, ao mesmo tempo, consciente das
implicações financeiras que essa oferta de ajuda me causaria. E logo seguíamos,
eu e o Zé, no seu reluzente caminhão-guincho em direção ao acampamento.
Quando saí do caminhão, observei com espanto o Zé
descer com aparelhos na perna e a ajuda de muletas para se locomover. Ele era
paraplégico! Enquanto se movimentava, comecei novamente minha ginástica mental
para calcular o preço da sua ajuda.
– É só bateria descarregada. Uma pequena carga
elétrica e vocês poderão seguir viagem – disse
ele.
O homem era impressionante; enquanto a bateria
carregava, distraiu meu filho com truques de mágica e chegou a tirar uma moeda
da orelha, presenteando o garoto. Depois de algum tempo, quando ele colocava os
cabos de volta no caminhão, perguntei quanto lhe devia.
– Absolutamente nada – respondeu, para minha
surpresa.
– Tenho que lhe pagar alguma coisa – insisti.– Não – reiterou ele. – Há muitos anos, alguém me ajudou a sair de uma situação muito pior, quando perdi as minhas pernas. O sujeito que me socorreu simplesmente disse: ‘Sempre que tiver oportunidades, passe este favor adiante’.
Fiquei em silêncio por alguns instantes, sem
reação, e o Zé ainda completou:
– Eis minha chance novamente; você não me deve
nada! Apenas lembre-se: quando tiver uma oportunidade semelhante, faça o mesmo.
Aprendi que somos anjos de uma asa só; precisamos nos abraçar para alçar voo ao
Céu.
(PAULO ROBERTO LABEGALINI -
Escritor, Professor da Universidade Federal de Itajubá-MG)
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