sábado, 5 de outubro de 2013

Adeus a Virote - Crônica de Paulo Hamilton

QUANDO  AQUELE
QUE  AMAMOS  PARTE


Sempre que fico sabendo que alguém perdeu um ente querido, penso: Será um longo e solitário caminho - o do luto. O melhor aliado nessa fase dolorida, é indiscutivelmente o tempo. Aliado que nunca podemos subestimar. Nem sequer atrasar ou adiantar.

 O tempo corre nessa fase como sempre correu, não voltará atrás, por nossa vontade, e nem andará mais rápido, para aliviar nossas tristezas.

  O  caminho do luto, pode ser solitário, mas sempre haverá beleza no trajeto, e não somente lamentos. As recordações daquele que amamos e partiu, são flores a suavizar o percurso. E a saudade será como a vegetação de uma trilha, a refrescar o gosto amargo da ausência, sentida por nossa alma.

 Certa vez li um livro que inspirou-me a escrever esta crônica. Nele, uma  mulher contava, que com a morte de seu amado marido, no período de luto, ela costumava borrifar o perfume usado por ele, pelos cômodos da casa para sentir de alguma forma a sua doce presença.

A dor da perda machuca cada alma com uma intensidade muito particular. E cada qual sabe a melhor forma de buscar amenizar essa grande dor.

Bom se quando formos nos despedir de alguém muito amado, tivermos a fé, de que somente a vida física acabou ali. A essência de quem se foi, continua a existir. E que, aquele que partiu dessa vida, pode estar bem perto daqueles a quem ama e aqui ficou.

Hoje, às  7 horas da manhã, tomei conhecimento de que meu amigo e de todos os naviraienses Antonio Augusto dos Santos (Virote) havia falecido. Tão perto de comemorar conosco o cinqüentenário desta bonita cidade que fundou juntamente com seu cunhado Ariosto da Riva.

É impossível se falar de Naviraí, de seu início desbravador, a epopéia das primeiras famílias que aqui chegaram, do espírito visionário que tinham àquele época desta terra dadivosa que Ariosto da Riva idealizou e que transformou-se neste chão aconchegante que aqui recebe brasileiros de todos os centros do País.

Já tive a oportunidade de falar e escrever muito sobre este meu amigo. Sim, meu grande e velho amigo, pois “amigo é aquele que nos aceita, não pelo que temos, mas pelo que somos!”.

Mas hoje, eu não queria mencionar que ele já foi Prefeito desta cidade por dois mandatos em épocas difíceis, quando o município vivia de suas próprias rendas, sem as hoje chamadas verbas federais que ajudam sobremaneira uma administração para lançamentos e execuções de obras em prol do município.

Hoje eu não queria dizer que ele foi o nosso primeiro Delegado de Polícia e nem que foi o primeiro Presidente da nossa Casa Legislativa.

Hoje, eu não queria dizer que ele foi nosso pioneiro maior, administrador de uma Colonizadora que prestou e continua prestando inúmeros serviços à comunidade tendo plantada a semente futurista da Naviraí de hoje.

Hoje, eu não queria citar que ele é Cidadão Benemérito de Naviraí, título que lhe foi outorgado pelo nosso Augusto Poder Legislativo Municipal.

Hoje, eu não queria mencionar que a Associação Comercial e Empresarial de Naviraí deu o seu nome ao seu belíssimo Anfiteatro de 200 lugares.

Não! Nada disse hoje eu gostaria de lembrar, afora outros títulos e homenagens já recebidas, merecidas por sinal.

Hoje, este humilde escriba está aqui para dizer a todos os nossos leitores – homens, mulheres, jovens e crianças que hoje é um triste dia na vida de todos nós naviraienses de nascimento ou adoção – Virote foi encontrar-se com o Grande Arquiteto do Universo. Com ele se foram 81 anos de sua vida aqui dedicados, mas aqui ficaram seus sonhos, suas conquistas, seus projetos de vida.

Amigo Virote, faz 81 anos que Deus te enviou  a esta terra para aqui plantar uma semente altamente germinativa com tua presença marcante e hoje não há palavras que bastam para te homenagear na tua despedida. Deus te criou e o revestiu com muitas e boas qualidades: uma grande pessoa admirada por todos – tua personalidade marcante, teu caráter, tua integridade, teu espírito de solidariedade. Tua magnanimidade.

A partir desta data de 4 de outubro de 2013, será, com certeza, repleta de demonstrações de carinho e gratidão à tua pessoa.

A família do nosso pioneiro maior se reencontrou com todas as famílias de Naviraí para a sua despedida. E nesse encontro, a presença de amigos, familiares e, como não poderia deixar de ser, a emoção foi a tônica da mais justa e sincera homenagem que poderia ser prestada a você, velho amigo.

Abraços, condolências, cantos e as presenças ilustres de diversos amigos, autoridades e expressivas lideranças políticas abrilhantaram ainda mais  este momento ímpar de sua despedida entre nós.

“Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós; leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada. Há os que deixam muito, mas há os que não deixam nada. Essa é a maior responsabilidade de nossas vidas e a prova evidente que duas almas não se encontram por acaso. (Antoine de Saint Exupéry).

Devemos muito a ti, caro amigo, pelo teu carinho, pelo respeito, pela admiração, pelas boas lembranças que irão ficar para sempre. Que Deus na sua infinita bondade te dê o descanso eterno e à sua esposa Lourdes, suas filhas Lucia  e Helena nossos sinceros votos de pesar.

Até outro dia meu..., seu..., nosso amigo Virote de todos os Naviraienses.

Pode ter certeza de que, você partiu desta vida, mas estará bem perto daqueles a quem amou e aqui ficaram.

·         Paulo Hamilton é professor aposentado da Rede Estadual de Ensino. Membro da Associação Naviraiense dos Poetas e Escritores e do Conselho Municipal de Cultura.

 

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