segunda-feira, 7 de abril de 2014

Personalidade: Dino Franco

Dino Franco está entre os pioneiros
que fizeram a história da música caipira


Dino Franco, o grande cantor e compositor se despediu do mundo no último dia 4, deixando o público sertanejo em lamentos. Descansou das lutas e fadigas o consagrado autor de Travessia do Araguaia, Nelore Valente, Amargurado e Caboclo na Cidade, dentre tantos sucessos que escreveu durante a sua trajetória em favor da gloriosa música caipira. A dupla Cesar Menotti e Fabiano e o Caim, da dupla Abel e Caim, estiveram no último sábado em Rancharia, rendendo a última homenagem ao Compositor e cantor Dino Franco.
Entre os veteranos artistas caipiras, poucos mantinham tamanha unanimidade quanto o poeta, compositor, violeiro e cantor Osvaldo Franco. Na sexta-feira, 4 de abril, Dino Franco fechou os olhos para o mundo, aos 77 anos na cidade de Rancharia, onde morava com a irmã Marina.

Dino Franco nasceu na cidade paulista de Paranapanema, em 1936, e começou a cantar cedo nas rádios em Paraguaçu Paulista. Fez dupla, primeiramente, com o nome de Pirassununga ao lado do parceiro Tibagi nos anos 1950. Com o nome artístico de Junqueira, também fez dupla com Juquinha. Aliás, Dino Franco teve mais de dez diferentes parceiros ao longo da carreira. Entre eles, Biá, Belmonte, Piratininga e Mouraí. Com este último fez bastante sucesso ao interpretar canções como "Sertaneja", "A Volta do Caboclo", “Caboclo na Cidade”, “Cheiro de Relva”, “Nelore Valente”, dentre tantos sucessos gravados em  mais de uma dezena de discos. Em meio a carreira musical, chegou a trabalhar na Chantecler, quando a gravadora produzia nomes como Liu e Léu e Lourenço e Lourival.
O compositor também está na história do programa Viola, Minha Viola, do qual participou inúmeras vezes. A primeira delas, logo no décimo terceiro programa, em 1980, Dino Franco foi entrevistado pelos apresentadores Moraes Sarmento e Nonô Basílio. Dino Franco é autor de músicas clássicas nas rodas de viola. "Travessia do Araguaia" traz uma “lição de vida” dos peões nas comitivas, após um boi ser sacrificado para uma boiada inteira atravessar o rio: “Naquele estradão deserto, uma boiada descia/O ponteiro revoltado disse que barbaridade,/sacrificar um boi velho pra que esta crueldade./Respondeu o boiadeiro aprenda esta verdade,/que Jesus também morreu pra salvar a humanidade. "Amargurado" é outro exemplo de composição romântica que está na memória dos amantes da música caipira, principalmente depois da histórica gravação de Tião Carreiro e Pardinho: O que é feito daqueles beijos que eu te dei/Daquele amor cheio de ilusão/Que foi a razão do nosso querer/Pra onde foram tantas promessas que me fizeste/Não se importando que o nosso amor viesse a morrer.

Dino Franco foi sepultado no cemitério municipal de Rancharia, recebendo homenagem de fã e amigos que compareceram para lhe render a última homenagem. O Cantor Daniel enviou uma nota de pesar à família do compositor; o Caim, da dupla Abel e Caim, esteve na última despedida, assim como a dupla César Menotti e Fabiano. Emocionada, a irmã Marina disse: “A música estava na vida de Dino Franco desde a infância. “Em 1957, ele foi para São Paulo com a cara e a coragem e o caderno de músicas debaixo do braço.”  Dino Franco foi um ardoroso defensor da música sertaneja raiz, e sempre dizia: ““A música sem raiz é fraca, vulgar e fria'.

 

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