sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Não é fácil ser jornalista - A/0190

Não é fácil ser jornalista
Diferente do que mostra a novela "A Favorita" da Rede Globo de Televisão, ser jornalista não é fácil. Olhando para o personagem Zé Bob, interpretado pelo ator Carmo Dalla Vecchia tudo parece uma grande aventura, cheia de emoções e descobertas, mas tudo isso não passa de ilusão. Até pode existir algum jornalista com pinta de galã por aí, mas na maioria das vezes somos pessoas comuns, muitos de nós nos bastidores produzindo matérias que em muitos casos não serviram de nada.Há por aí uma infinidade de pessoas que cursaram faculdade de jornalismo imaginando ser famosos e aparecerem na TV, ou trabalharem para jornais e revistas famosos, ou na pior das hipóteses ficarem ricos. Quando se deparam com uma vida corrida e estressante, preferem mudar de profissão ou simplesmente deixar o jornalismo de lado.Na trama de João Emanuel Carneiro, Zé Bob é uma espécie de herói, que desvenda crimes, estoura cativeiros e enfrenta com audácia políticos corruptos, bem diferente da realidade em que os jornalistas vivem, muitos de nós são custeados pela política.Nossa realidade é outra, trabalhamos num marasmo de informações constantes sobre violência, problemas na saúde, educação e escândalos políticos, sugamos aquilo que achamos importante e repassamos ao publico, de longe estamos interessados em fazer um país melhor ou livrar a sociedade de políticos corruptos, criminosos e seqüestradores.A imprensa brasileira está voltada na maior parte na busca por um furo de reportagem, ou pela liderança de audiência, para a maioria dos nossos jornalistas não há espaço para solidariedade e bondade para com o próximo. O importante é trabalhar e receber o pagamento no fim do mês. O resto, todo mundo sabe como funciona.
Isso é lamentável, e nesse ponto o jornalista se decepciona diante de fatos importantes que gostariam que fossem divulgados, mas são impedidos por força de acordos comerciais. Em cidades de pequeno porte, fica ainda mais difícil, pois os coronéis da política policiam todas as ações que um bom jornalista poderia praticar. A verdade é sempre distorcida, e quando o profissional quer dar a melhor informação ao seu leitor, passa a ser duramente questionado até mesmo pelos familiares. O amor ao vil metal passa a ser a grande barreira para o desempenho da nobre profissão de jornalista. Nesse ponto, o trabalhador da comunicação fica desiludido e se desgosta em exercer a atividade que um dia escolheu, jurando exercê-la com imparcialidade e em defesa do cidadão. O nosso dia-a-dia está cheio dessa dura realidade, quando o jornalista é impedido de exercer com lisura e decência a sua profissão.

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