segunda-feira, 9 de março de 2009

O Jovem Rico - A/270

O interior de um moderno Templo na Capital Paulista
O Jovem Rico
Estive, há poucos dias, em visita a uma Comunidade Religiosa, em companhia de meu mano mais velho, a quem admiro muito, desde a minha meninice. A liturgia é muito parecida com a de uma denominação que sempre freqüento, eis que os iniciadores das respectivas organizações cristãs, que datam de 1910, eram amigos. Louis Francisconi, missionário italiano de origem presbiteriana teve encontros formais em cidades do sul do Brasil com os pioneiros suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg. Os dois movimentos religiosos surgiram, paralelamente nos Estados do Pará e Paraná, com espantoso crescimento.
Apreciei sobremaneira o desenrolar das atividades, pois o dirigente conduziu com serenidade os trabalhos, observando a perfeita ordem, ao colher testemunhos de irmãos e irmãs, de maneira intercalada, logo após o cântico de hinos sacros, com a participação de uma orquestra muito bem harmonizada com a música das esferas. Eles afirmam que a “Palavra” é dada por Deus, e ainda alguns irmãos recebem a inspiração divina para dirigirem as orações. Utilizam geralmente a expressão “Deus seja Louvado” enquanto falam à assembléia.
O pregador discorreu naquela noite sobre o Evangelho segundo Marcos 10.17-31, texto que trata especificamente sobre as riquezas, utilizando a figura de um jovem rico. Achei interessante a interpretação que fez, considerando a parábola do Mestre Jesus, que alertava sobre o perigo das riquezas mal adquiridas, mas também admitindo que “para Deus todas as coisas são possíveis.”
O tempo utilizado pelo obreiro foi de aproximadamente meia hora, demonstrando uma certa eloqüência e conhecimento do assunto escolhido para entregar à Congregação. As figuras de linguagem foram colocadas adequadamente, deixando toda a Comunidade satisfeita com a mensagem que veio da parte de Deus.
Para mim, foi uma experiência gratificante, porque pude observar que também a evolução acontece nessa Igreja, onde tenho bons amigos e cujos dogmas conheço desde criança. Explico: uma das mudanças salutares ocorridas diz respeito à participação da mulher. Elas continuam usando o véu, uma prática muito comum nas mesquitas muçulmanas, nas sinagogas judaicas e também por mulheres conservadoras de fé católica, além de outros grupos denominacionais espalhados pelo mundo. No entanto, no momento de testemunhar e cumprir os seus votos, dirigem-se à frente, falando num microfone que fica perto do púlpito na ala das mulheres. O tempo é administrado para homens e mulheres na mesma proporção. Há alguns anos era um pouco diferente.
Esse grupo tem uma mística muito especial, com predominância de uma espiritualidade natural, onde os exageros pentecostais são evitados, embora seja essencialmente favorável às manifestações do Espírito, pois é comum também entre eles as evidências de línguas estranhas. Existe ali uma severa ordem no culto, o que é difícil ocorrer noutras denominações cristãs, mesmo naquelas não-pentecostais e com obreiros dotados de formação teológica. A duração das atividades litúrgicas normalmente não ultrapassam de noventa minutos, embora nesse dia o tempo regulamentar tenha se excedido, chegando a quase duas horas, entre louvores, orações, testemunhos e comunicados.

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