
O Velhinho sabia o que queriaÉ interessante como muitas pessoas adotam um estilo de vida, e desta maneira, passam toda a existência vivendo com propósitos claros e muito bem definidos. Atitudes assim não teriam uma definição de fácil entendimento, mas isso é possível do ponto de vista espiritual, eis que pessoas que escolhem esse sistema para viver, o fazem por intuição, que é uma forma como o Criador usa para auxiliar os seus filhos.
É comum, em todos os tempos, homens e mulheres dotados de espiritualidade natural se isolarem para cumprir um desejo do coração. Alguns passam a viver exclusivamente para fazer a vontade de Deus, morando em monastérios ou ermitérios. Outros preferem um lugarzinho tranqüilo às margens de um rio ou transformam a sua própria casa para as práticas místicas. Ao longo da história, homens célebres e também pessoas humildes passaram a viver sozinhos, ou com alguns familiares, no intuito de prestar culto ao Deus de seu coração.
Esse pode ser o caso de Benedito Lemes Prado, que tendo ficado viúvo no ano de 1994, não quis mais assumir novos compromissos matrimoniais e passou a viver em sua casa no bairro Fleck em Mundo Novo, cuidando de seus pertences e de alguns animais de estimação. Sempre foi auxiliado pela sobrinha Cleuza Prado e ali vivia como um verdadeiro ermitão. Aposentado, administrava suas “coisinhas” com muito zelo, ajudado pelo seu procurador Gilmar Prado, a quem depositava toda confiança. Tive a oportunidade de visitá-lo em seu habitat sagrado, onde passava todo o tempo meditando com algumas velas acesas e preocupado com alguns cães que moravam com ele. Todos os anos, no Dia de Finados, Benedito tinha um compromisso: ia visitar o túmulo da saudosa esposa Antônia, no distrito de Oliveira Castro.
A idade ia chegando, e agora, com 91 anos, o Homem precisava ceder o espaço para outras criaturas que estão nascendo. Durante o tempo em que estava doente, ele manifestava a vontade de partir, sem dar trabalho para ninguém. Os parentes tiveram todo o cuidado com ele, mas tendo a saúde muito debilitada, foi internado no Hospital Universitário de Dourados, tendo uma perna amputada. Não resistiu tanta dor e veio a falecer na noite de 13 de março, tendo sido sepultado em Mundo Novo, cidade que escolheu para morar desde 1996.
Conforme palavras de quem convivia com ele, pude ouvir alguma expressão de carinho sobre essa criatura de caráter bem formado e que sobretudo tinha determinação e sabia, de seu jeito, administrar a vida. Antes de entrar em transição, chamou os parentes mais chegados, lavrando um testamento, para entregar os seus pertences a quem realmente amava, como forma de agradecimento pelos benefícios recebidos de cada um deles. Fez a doação de uma sanfona, de um cavaquinho, assim como de outras coisas que considerava. A casa, por exemplo, deixou como legado à sobrinha Cleuza, que teve com o ancião todos os cuidados, tanto em vida como também nos momentos derradeiros. Assim, o velhinho que sabia o que queria, partiu para a Eternidade, após ter cumprido a sua missão entre os humanos.
15.03.2009 – Jairo de Lima Alves
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