domingo, 31 de julho de 2011

Artigo: Aviso aos Navegantes - A/0983

O Boteco do Pereira até que é bem surtido. Razoável variedade de caninhas sobre a pequena prateleira com a ação dos cupins à mostra. O balcão, esfolado como sola de sapato de muito uso, religiosamente com dois dedos de poeira a encobrir os estragos do tempo, acomoda baleiros recauchutados com durex e tampas remendadas com cola haraldite.

Na hora de abrir o “estabelecimento”é preciso esperar pela chegada de algum freguês para ajudar segurar um lado da porta, enquanto a mesma é empurrada para dentro para dar o encaixe da chave. Função esta que igualmente cabe ao último freqüentador (normalmente um bêbado ) na hora de fechar a espelunca. As vitrines de vidros partidos, foscos pela sujeira e pela idade, a custo permitem divisar uma Maria-mole ou um pé-de-moleque em seu habitat, mais com função de esconder do que de expor os produtos. Finalmente, a caixa registradora, feita à mão, de tantos maus tratos traz o tampo quebrado e. para não destoar do cenário, também está esfolada, soltando fiapos de madeira e expondo nós sucessivos em sua contextura.

Assim é O Boteco do Pereira, conforme uma pichação estrategicamente colocada em letras vermelhas sobre fundo amarelo-sujo na parte superior do batente da porta, melindrosa para abrir e fechar, mas, quando aberta, sempre de coração amplo para receber a fiel freguesia.

Bem lá no fundo, entre velharias sem uso, em posição visualmente estratégica, estes dizeres vazados em letras garranchais:

A inveja mata...

Geraldo Generoso

Nenhum comentário: